
Também participaram do encontro parlamentares de vários estados brasileiros afetados pelo processo demarcatório, além de produtores e presidentes de sindicatos rurais.
Na prática, os ruralistas contam com a interlocução do presidente da Câmara com a presidente Dilma Rousseff (PT) pelo fim das demarcações, a exemplo do que já aconteceu no estado do Paraná, onde os estudos realizados pela Funai (Fundação Nacional do Índio) foram interrompidos.
Ontem, durante audiência da Comissão de Agricultura da Câmara, a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) avisou que a suspensão das demarcações depende de laudos complementares de órgãos como a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).
Essas análises já estão sendo realizadas nos processos que envolvem os estados de Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Bahia e Mato Grosso.
Caso as análises solicitadas pelo Palácio do Planalto à Embrapa sejam de caráter semelhante às do Paraná, as demarcações podem ser suspensas. O que ruralistas e parlamentares estão solicitando é que esse processo seja mais célere.
“Por isso nos reunimos com o presidente da Câmara. Queremos seu apoio, sua intervenção, para que essas demarcações sejam paralisadas o mais depressa possível”, afirmou Mara Caseiro.
Eles também estão com pressa para que o STF (Supremo Tribunal Federal) conclua o julgamento definitivo do processo de demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.
Espera-se que o Supremo decida rapidamente os recursos do julgamento, pois essa análise é necessária para que o processo transite em julgado e as regras de delimitação das terras indígenas estabelecidas pela corte sejam fixadas em definitivo. Ontem, a ministra Gleisi Hoffmann também pediu celeridade nesse processo.
Repercussão - Durante a sessão desta quinta-feira (9/5), a deputada Mara Caseiro voltou a ocupar a tribuna para criticar a demora na tomada de decisão do governo acerca das demarcações e dos abusos cometidos pela Funai nesse processo.
“Em todo o Brasil, a Funai tem usado seus superpoderes, fazendo laudos fraudulentos e mentirosos e depois aprovando seus próprios laudos”, disparou.
Mara Caseiro também citou dados da CNA (Confederação Nacional de Agricultura) para enfatizar que o maior problema hoje dos indígenas não é falta de terra, mas de estrutura. Hoje, eles possuem cerca de 13% de todo o território brasileiro demarcado, e esse espaço tem crescido vertiginosamente ao longo dos anos.
Durante aparte, o deputado Zé Teixeira (DEM) reforçou o discurso, afirmando que os índios precisam hoje de um órgão que cuide de seus interesses, destacando que, “com certeza, esse órgão não é a Funai”.
Mara Caseiro concluiu dizendo que se todas as portarias divulgadas pela Funai forem homologadas, a produção no Estado estará fadada ao fracasso, sobretudo no Conesul, a região mais afetada pelo processo demarcatório.
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