Ontem 14 de Março de 2012, foram abertas as inscrição para jovens indígenas das aldeias Bororó e Jaguapirú, que irão participar das oficinas que vão ser desenvolvidas todas as quartas-feira no CRAS (Centro de Referência de Assistencial Social) Indígena da aldeia Bororó.
Este ano com o tema: Meio Ambiente um diálogo entre os povos.
Os jovens manifestaram empolgados para o inicio das atividades afirma uma mãe de aluna.
As oficinas terão como monitoras as integrantes da AJI - Ação dos Jovens Indígenas de Dourados: Ana Claúdia de Souza, Diana Davilã, Rosivânia Benites e Indianara Machado.
Segundo Indianara a ideia é tratar temas focos que vão ser discutidas na RIO + 20, um evento da ONU sobre meio ambiente que irá ocorrer em Junho no Rio de Janeiro.
quinta-feira, 15 de março de 2012
Iluminação publica, porque a aldeia de Dourados tem pouca iluminação?
A iluminação publica é um direito de todos os cidadãos, nós indígenas também necessitamos usufruir disso.
A Aldeia de Dourados tem pouca iluminação publica, a iluminação é muito importante na aldeia porque com ela ficaria melhor circular nas estradas. No Rio de Janeiro houve uma diminuição da violência com a implantação da iluminação publica nas favelas, para a comunidade seria muito melhor porque seria mais seguro.
A Aldeia de Dourados tem pouca iluminação publica, a iluminação é muito importante na aldeia porque com ela ficaria melhor circular nas estradas. No Rio de Janeiro houve uma diminuição da violência com a implantação da iluminação publica nas favelas, para a comunidade seria muito melhor porque seria mais seguro.
quarta-feira, 14 de março de 2012
As estradas da aldeia de Dourados estão precarias
As estradas das aldeias de Dourados Jaguapiru e Bororo estão muito esburacadas e em péssimas condições para transito de veículos, os ónibus que transportam os alunos para as escolas esta com imensa dificuldade para tal.
A comunidade da aldeia também sente essa dificuldade, um exemplo disso; são as viaturas que levam os doentes para os hospitais. Evita-se balançar os doentes dentro da viatura porém, isso fica complicado por causa dos buracos nas estradas, e isso prejudica os pacientes e toda comunidade.
As pessoas da aldeia exigem melhorias nas estradas imediatamente!
A comunidade da aldeia também sente essa dificuldade, um exemplo disso; são as viaturas que levam os doentes para os hospitais. Evita-se balançar os doentes dentro da viatura porém, isso fica complicado por causa dos buracos nas estradas, e isso prejudica os pacientes e toda comunidade.
As pessoas da aldeia exigem melhorias nas estradas imediatamente!
terça-feira, 13 de março de 2012
segunda-feira, 12 de março de 2012
Poço na aldeia de Dourados
Antes de
chegar água encanada na Reserva Indígena de Dourados (RID), as
pessoas utilizavam os poços, quando chegou a água encanada,
passaram a utilizar apenas ela.
Acadêmica
Mary Rosa Morales da Aldeia jaguapiru relata que o principal problema
da água encanada na aldeia é que a maioria das pessoas não tem
caixa da água para reservar água e então usam diretamente da
torneira.
José
Reginaldo de 56 anos morador da aldeia Jaguapiru fala que trabalhou
por muito tempo como poceiro aproximadamente uns dez anos, ele conta
que quando trabalhava furando poço ele era bem requisitado porque
antigamente não tinha água encanada e quando as pessoas se casavam
chamavam os poceiro para furar poço em suas casas, quando eram
contratados para fazer os poços eram eles que determinavam o lugar
porque se dependesse do morador eles queriam perto da casa, mas quem
sabiam onde tinham água eram os poceiros.
De acordo
com o Medico Zelik Trajber relata que até
muitos anos atrás, haviam muitos poços familiares na aldeia. Eram
poços superficiais, com poucos metros de profundidade, com pouca
proteção interna e externa, facilitando a contaminação.
Os poços da Funasa , têm profundidade de 200 metros mais ou menos, são mais protegidos, menos sujeitos à contaminação e a água é finalmente clorada antes de ser distribuída.
Os poços da Funasa , têm profundidade de 200 metros mais ou menos, são mais protegidos, menos sujeitos à contaminação e a água é finalmente clorada antes de ser distribuída.
sexta-feira, 9 de março de 2012
Passeata em favor da PAZ na aldeia de Dourados
Aconteceu hoje dia 09 de março a passeata em favor da paz na aldeia de Dourados. "Queremos paz, violência não" este é o grito de guerra dos jovens indígenas das etnias Terena, Guarani e Kaiowá das aldeias Jaguapiru e Bororó que estiveram caminhando hoje. A passeata contou com alunos, professores e coordenadores da escola Francisco Meireles, Agostinho, Ramão Martins, Araporã e Reis Veloso, também lideranças indígenas e membros da comunidade.
Aproximadamente 300 indígenas foram as ruas gritando pela PAZ na aldeia de Dourados. As faixa que carregavam pediam politicas publicas, melhoras na educação, melhoras na saúde, opções de lazer e não se esquecendo de levar o nome das dez pessoas que já morreram só no mês de Janeiro e Fevereiro na Aldeia de Dourados.
A carta foi entregue ao Ministério Publico Federal pelos jovens da AJI juntamente com alunos, professores, lideranças e comunidade presente.
Aproximadamente 300 indígenas foram as ruas gritando pela PAZ na aldeia de Dourados. As faixa que carregavam pediam politicas publicas, melhoras na educação, melhoras na saúde, opções de lazer e não se esquecendo de levar o nome das dez pessoas que já morreram só no mês de Janeiro e Fevereiro na Aldeia de Dourados.
A carta foi entregue ao Ministério Publico Federal pelos jovens da AJI juntamente com alunos, professores, lideranças e comunidade presente.
quarta-feira, 7 de março de 2012
Você Sabia?
Você sabia que a Vila Olímpica da Reserva de Dourados começou a ser construída em 2005 e terminou em 2011, custando aos cofres públicos R$1.663.289,91 e está parada?
Segundo informações é um litígio entre os órgãos governamentais e a população indígena sofre as consequências sem ao menos saber a quem recorrer.
Segundo informações é um litígio entre os órgãos governamentais e a população indígena sofre as consequências sem ao menos saber a quem recorrer.
terça-feira, 6 de março de 2012
Passeata em favor da paz na aldeia de Dourados
A AJI - Ação de
jovens indígenas se prepara para a passeata que acontecerá no
dia nove de março. Esta passeata tem como objetivo chamar atenção
a tanta violência que acontece na aldeia Jaguapiru e Bororó de
Dourados - MS. Neste dia os jovens indígenas, a comunidade e
lideranças indígenas vão gritar por justiça, pela paz na aldeia,
pelos direitos que são violados.
Nos utimos meses o índice de morte de acordo com os dados da FUNASA/2011 este ano os
casos de morte nas aldeias de Dourados foi maior que 2011, são seis
mortes só em janeiro. E de acordo com a Polícia Civil de Dourados,
ao todo a Reserva Indígena concentra hoje uma média de 25% dos
homicídios de todo município. Em 2011 foram 11 assassinatos
registrados na aldeia; uma média de 1 homicídio por mês. Destes, 8
foram solucionados tendo seus respectivos autores presos; o que
resulta em 80% dos casos esclarecidos.
No entanto, enquanto a
média de assassinatos em todo o município, que tem quase 200 mil
habitantes é de 4 por mês, na aldeia, que tem a população bem
inferior (13 mil) é de 1 por mês. O agravante é que em todos os
casos na Reserva, os crimes são praticados com requintes de
crueldade e de extrema violência, o que chama maior atenção da
população de Dourados em relação aos homicídios praticados na
área urbana.
Um dos casos de morte
que mais chama tenção e considerado pela comunidade indígena como
o mais bárbaro da aldeia, foi o assassinato de uma indígena. Pedrina
Bogarin, de 69 anos, estava esquartejada. Braços e cabeça,
separados, foram encontrados enterrados, em baixo do corpo. Já as
pernas estavam atiradas bem distante do corpo. A cada semana pais
sofrem a perdas de seus filhos e clamam por vingança e a violência
só continua.
Diante
disso a AJI convida você para estar neste dia nesta luta conosco,
venha traga a sua força e coragem e nos apoie neste dia.
Passeata
em favor d apaz na aldeia de Dourados
Dia:09/03/2012
Horas:
Sete horas da manhã
Local: Saída da rotatória da aldeia Jaguapiru em direção a praça central
da cidade
Mais informações:
3422-2617 / 9909-8502
ajidourados@yahoo.com.br
AJI –
AÇÃO DE JOVENS INDÍGENAS DE DOURADOS
sexta-feira, 2 de março de 2012
Para desembargadora, lentidão da Justiça agrava tensão por disputa de terra em MS.
A lentidão da Justiça brasileira para finalizar
os processos relacionais às homologações de terras indígenas
colabora para aumentar o clima de tensão e violência em as áreas
de conflito, em especial no estado de Mato Grosso do Sul. A avaliação
foi feita pela desembargadora do Tribunal de Justiça de São Paulo e
uma das fundadoras da Associação de Juízes pela Democracia (AJD,)
Kenarik Baujikian.
Uma das observadoras da Aty Guasu, uma grande
assembleia do povo indígena Guarani-Kaiowá do estado de Mato Grosso
do Sul, que ocorre no município de Tacuru até amanhã (3), a
desembargadora acredita que devido à lentidão do Poder Judiciário
tanto índios quanto fazendeiros e produtores rurais partem para o
conflito a fim de defender seus direitos.
“O Judiciário brasileiro precisa saber dos
reflexos do descumprimento da sua obrigação, que é fazer justiça.
Nesse caso, acaba criando mais injustiça e isso é gravíssimo. É
preciso ter consciência de que a falta de decisão está fomentando
situações muito tristes que estamos vendo agora, especialmente em
Mato Grosso do Sul”, disse Kenarik Baujikian à Agência Brasil.
Para a desembargadora, os processos de demarcação
e homologação de terras indígenas não podem tramitar por anos nos
tribunais sem que tenha uma definição. “A demora na solução
acaba reforçando os problemas que existem de violência, tensões,
seja dentro das comunidades indígenas, seja nas outras comunidades
que estão em volta.
O Judiciário tem cumprido um papel de reforçar
[isso], na medida em que a questão da demarcação de vários
processos está paralisada no Supremo Tribunal Federal”,
argumentou.
“A demora da Justiça contribui para a violência
e não só para isso como também para a instabilidade geral em todos
os sentidos, inclusive, econômico dos envolvidos. A pior coisa que
pode acontecer é não se resolver esse problema logo, seja por meio
das homologações, seja pelas questões que já estão no
Judiciário”, acrescentou a desembargadora.
Kenarik Baujikian também responsabilizou o Poder
Executivo pela dificuldade em solucionar os problemas indígenas.
“Não é só o Judiciário. O Executivo [tem responsabilidade]
também porque existem atribuições próprias do Executivo e isso
não tem sido realizado. Estamos muito atrasados em relação a isso
e o que só vem reforçar a questão de incerteza, tensão para todas
as pessoas envolvidas.”
Iniciada na quarta-feira (29), a primeira Aty
Guasu de 2012 reúne cerca de 250 lideranças, que representam cerca
de 45 mil índios das etnias Guarani-Kaiowá e Nhandéwa, de 26
municípios de Mato Grosso do Sul.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Indígena defende dissertação de mestrado em aldeia
Na
próxima quarta-feira (29), a aldeia Pirajuí, que fica no município de
Paranhos, em Mato Grosso do Sul, receberá um grupo de professores e
convidados a participar da defesa de dissertação do indígena, da etnia
Guarani, Cajetano Vera. Esta será a segunda vez que uma comunidade
indígena tem oportunidade de assistir o resultado de estudo acadêmico
voltado para seus saberes tradicionais.
Cajetano formou-se em Ciências Biológicas e no
mestrado em Desenvolvimento Local da Universidade Católica Dom Bosco
(UCDB) conta com apoio do Programa de Bolsas da Fundação Ford e do
projeto Rede de Saberes, financiado pela mesma. Ele trouxe para a
universidade a questão do hábito do consumo de larvas de besouros entre
os Guarani Ñandéva, da aldeia Pirajuí. A banca examinadora conta com os
professores Drª Nádia Heusi (UFSC), Drº Eraldo Costa Neto (UEFS) e o
orientador Dr. Antonio Brand (UCDB).
O mestrando desenvolveu o estudo com foco na
segurança alimentar, nutricional e sustentabilidade social. Segundo suas
constatações, o hábito alimentar dos indígenas mudou muito com o passar
dos anos. “Em paralelo à perda de seus territórios, ocorreu o
assoreamento cultural, com mudanças nos hábitos alimentares
tradicionais”, explicou. No entanto, Cajetano traz em sua dissertação
perspectivas para que o consumo de insetos, que são ricos em proteínas,
venha a ocorrer com a mesma frequência de antes.
Em 2010, por iniciativa do Mestrado em Educação da
UCDB, houve as primeiras defesas de dissertação em comunidade indígena.
Os professores da etnia Terena, Maria de Lourdes e Celinho Belizário
encantaram ao apresentar os trabalhos, que durante dois anos, desafiaram
a eles mesmos e também aos professores do programa, por conta de sua
característica intercultural. A educação escolar e a língua materna
foram os temas, que os mestrandos apresentaram, usando a própria língua
Terena para expor suas conclusões, na aldeia Cachoeirinha, no município
de Miranda.
www.midiamax.com
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Questão indígena no MS é um desafio para o Brasil em direitos humanos
A difícil situação dos povos indígenas no Mato Grosso do Sul, e particularmente dos guarani-kaiowá, em sua natureza, não é diferente do que se verifica em várias outras regiões do Brasil e da América Latina. Estamos falando de um processo de expropriação territorial, com o objetivo de utilizar-se dos recursos naturais (terra, água, madeira) e consequentes violações dos direitos mais básicos dessas populações, como o acesso à alimentação, educação e saúde.
O que impressiona no Mato Grosso do Sul é, sobretudo, a dimensão dos problemas e o grau de acirramento dos conflitos. Em primeiro lugar, isso acontece porque se encontra ali, hoje, a segunda maior população indígena do País, 73.295 pessoas, número somente superado pelo Amazonas (168.680). Juntos, os grupos de língua guarani falantes do dialeto kaiowá (autodenominados kaiowá) e os que falam nhandeva (autodesignados guarani) conformam hoje o maior grupo indígena do País, com cerca de 45 mil pessoas, distribuídas por mais de 30 terras indígenas e 31 acampamentos à beira de estradas ou em pequenas porções de terra dentro de fazendas.
Nos últimos anos, diversos relatórios nacionais e internacionais, de organizações da sociedade civil, como a Anistia Internacional e a Survival, além de órgãos de governo e mesmo de Estado, como o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH), têm apontado a situação dos guarani-kaiowá como um dos maiores desafios atuais do governo brasileiro na área dos direitos humanos.
O outro forte fator que agrava a crise no Mato Grosso do Sul é o grande poder político da elite local, particularmente acentuado na conjuntura atual, em que o agronegócio se tornou um dos pilares de um modelo econômico baseado, em grande parte, na exportação de commodities primárias. De fato, é um mar de soja, cana-de-açúcar e pastagens para o gado bovino o que se vê, hoje, sobre as terras reivindicadas pelos guarani-kaiowá, outrora uma região de grande biodiversidade, com matas ricas em madeiras nobres, como a peroba, o cedro e a aroeira.
O poder econômico e político dessa elite local, fortemente associada ao capital transnacional que financia o agronegócio, protelou ao máximo o processo de demarcação das terras indígenas na região. Desde que o movimento indígena Aty Guasu passou a organizar ocupações de terra como estratégia para pressionar o Estado brasileiro a agir na região, em meados dos anos 1980, a Fundação Nacional do Índio sempre agiu de forma pontual, sem buscar uma solução estrutural para os conflitos. Uma determinada área era ocupada, e somente ali se iniciava um processo de identificação e delimitação.
O movimento guarani-kaiowá pela recuperação das terras surgiu na virada dos anos 80, no bojo da redemocratização, ao mesmo tempo em que se organizavam os setores populares de todo o País. Ao longo das quatro décadas anteriores, os indígenas haviam visto seu território ser ocupado progressivamente por milhares de colonos vindos de vários cantos do País, com incentivo oficial, tanto do governo federal quanto do estado de Mato Grosso (a criação do Mato Grosso do Sul aconteceu em 1979). Nos anos 50 e 60, os líderes que ousavam reagir a esse processo de espoliação eram tachados de “comunistas” pelos órgãos indigenistas.
A mão de obra indígena já era explorada na região desde o século XIX, na extração de erva-mate, atividade instalada logo depois que o País ganhou a posse daquelas terras com a Guerra da Tríplice Aliança. Logo, os trabalhadores indígenas passaram a ser empregados no desmatamento massivo da região e implantação da monocultura extensiva, sobretudo da soja e da cana. Nos anos 70, intensificou-se o processo de expulsão das centenas de grupos locais para dentro de oito reservas indígenas que haviam sido demarcadas entre 1915 e 1928 pelo antigo Serviço de Proteção ao Índio (SPI, substituído em 1968 pela Funai).
Essas antigas reservas, contudo, não chegavam a 18 mil hectares de terra. Quando milhares de pessoas passaram a ser retiradas das áreas que ocupavam em “fundos de fazendas” por toda a região, os recursos naturais das antigas áreas do SPI rapidamente se esgotaram, e apareceram os problemas que, há 30 anos, assolam com força os guarani-kaiowá: conflitos entre as famílias, suicídios dos jovens, desnutrição infantil. Com a falta de terras, os homens, sobretudo, deslocam-se para longe da família a fim de buscar remuneração principalmente nas usinas de cana-de-açúcar – alvos de frequentes denúncias em razão da precariedade das condições trabalhistas.
Hoje, a situação enfrentada pelos jovens guarani-kaiowá nessas reservas lembra muito a que é vivida nas periferias das grandes metrópoles brasileiras. Em Dourados, a área mais problemática, onde o índice de assassinatos chega a ser superior ao de países em guerra, como o Iraque, já surgiu até um grupo de rap, o Bro MC’s, inspirado em grupos como o Racionais MC’s.
“Sei que não é fácil levar a vida desse jeito/ Fazer o quê? Me rendo ou luto/ contra o preconceito?/ Sou índio, sim/ problema, não burro/ como pensa esse sujeito/ Daquele jeito!/ Continuo minha sina/ sabendo muito bem quem gerou minha ruí-na/ 510 anos de abandono confinados/ em reservas que mal cabem nossos sonhos (…)/ Vai achando graça, mas o papo aqui é sério/ você e sua cachaça mandam muitos pro cemitério/ (…) De lá pra cá, guerras, conflito/ Chegou a hora de lutar pelo direito dos índios”, cantam os rappers desse que é o primeiro grupo de rap -indígena a gravar um CD no País.
REAÇÃO EM CADEIA
A reação ao processo de confinamento foi contundente. Uma a uma, os militantes da Aty Guasu reconquistaram, desde os anos 80, mais de 20 pequenas porções de terra, hoje em diferentes fases de regularização fundiária. Inicialmente, a Funai adotou uma política de demarcar áreas minúsculas, obviamente insuficientes para as necessidades das comunidades – vide as terras indígenas jaguari (405 hectares), sucuriy (500 hectares) e jarará (479 hectares), todas demarcadas e homologadas ao longo dos anos 90.
Mais recentemente, as demarcações passaram a contemplar áreas maiores, porém esbarrando, cada vez mais, nas ações judiciais. Das três áreas homologadas no governo Lula, duas foram barradas por liminares de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Isso aconteceu em 2005 com a terra indígena Nhanderu Marangatu (9.317 hectares no município de Antônio João), suspensa por Nelson Jobim, e, em 2009, com a terra indígena Arroio-Korá (7,1 mil hectares em Paranhos), embargada por Gilmar Mendes.
Nos últimos anos, os fazendeiros da região, fortalecidos política e economicamente, também tornaram as disputas cada vez mais violentas. Os assassinatos de lideranças, que já alcançavam repercussão internacional desde a morte de Marçal de Souza, em 1983, passaram a ser cada vez mais frequentes, sobretudo a partir de 2003, quando morre Marcos Verón, liderança de destaque no movimento Aty Guasu.
A crise nas reservas superlotadas também se intensifica na última década. Entre 2005 e 2006, ganham destaque na mídia nacional e no meio político as mortes em decorrência da desnutrição infantil. Como forma emergencial de combater o problema, intensifica-se a distribuição de cestas básicas. Em paralelo, o Ministério Público Federal intensifica suas pressões por uma solução real para o problema.
Segundo a legislação brasileira, o que está em jogo são as terras de “ocupação tradicional” do grupo (categoria definida pela Constituição de 1988, em seu artigo 231). Na cosmologia guarani-kaiowá, essas áreas são chamadas de tekoha (de teko – modo de ser – + ha – lugar, uma palavra que poderia ser traduzida como “lugar onde se pode viver do nosso próprio jeito”). Isso ajuda a entender a formação dos acampamentos – geralmente buscando as poucas áreas de mata que restam na região, na proximidade de onde se localizavam antigos assentamentos indígenas.
A alusão a esse “outro jeito de ser” demonstra que o movimento guarani-kaiowá é, sobretudo, uma reação cultural à imposição do estilo de vida dos karaí (como os indígenas designam os brancos). Não por acaso, os xamãs são figuras importantes na luta pela terra, eles fundamentam o sentido dessa ação política com profecias sobre o retorno dos tempos de fartura e alegria, a partir da recuperação do antigo território indígena. Retomar um tekoha, como fez Nisio Gomes, é voltar ao contato com os espíritos da terra e dos ancestrais.
No fim de 2007, a Funai assina, junto ao MPF, e com o testemunho das lideranças da Aty Guasu, um Compromisso de Ajuste de Conduta para resolver de uma vez por todas a situação das terras guarani-kaiowá. Em julho de 2008, são lançados seis grupos de trabalho para identificar e delimitar as terras indígenas, divididas de acordo com as bacias hidrográficas da região. Uma estimativa inicial dos antropólogos envolvidos é de 600 mil hectares a serem identificados – a extensão exata do território reivindicado só será conhecida com a publicação dos relatórios, nos próximos meses.
Na época, fazendeiros e políticos do estado difundiram a versão – prontamente desmentida pela Funai – de que as terras a serem demarcadas poderiam chegar a 12 milhões de hectares (quase um terço da área do Mato Grosso do Sul). Após um ato político na Assembleia Legislativa, o principal diário do estado estampou a manchete: “Produtores declaram guerra aos índios”.
Enquanto os políticos locais pressionavam o governo federal, os fazendeiros buscavam impedir o trabalho das equipes da Funai usando todo tipo de artifício jurídico. Diante da demora nos processos de identificação, mais uma vez os guarani-kaiowá lançaram mão da estratégia de ocupar as terras reivindicadas para pressionar as autoridades. O resultado tem sido uma série de conflitos sangrentos, desde 2009. Sem uma ação mais contundente do poder público, mais problemas certamente continuarão a ocorrer.
2012 Ano Internacional da Comunicação Indígena
O Congresso Nacional de Comunicação Indígena do México encabeçou o lançamento do ano 2012 como o Ano Internacional da Comunicação Indígena,
durante o qual serão realizados diversos fóruns e oficinas para
analisar a situação dos povos originários quanto à comunicação. Segundo
integrantes do Congresso, foram as experiências adquiridas nesta área,
“em especial das rádios comunitárias e cinema indígena” que
impulsionaram este acordo.
A informação é da Organização Católica Latino-Americana e do Caribe de Comunicação - OCLACC, 24-02-2012. A tradução é do Cepat.
A decisão de dedicar este ano à comunicação indígena foi tomada durante a I Cúpula Continental Indígena, realizada em 2010, de tal maneira que se solicitou aos governos nacionais e a organismos internacionais para que incluam esta comemoração em suas agendas políticas e orçamentárias.
Segundo a Rede de Rádios do Sudeste Mexicano, há mais de 200 rádios comunitárias e indígenas que sofrem de hostilizações e repressão, que é mais forte nos Estados de Puebla, Oaxaca, Guerrero, Tabasco e Veracruz.
Por outro lado, o cineasta indígena José Luis Matias Alonso, de Guerrero, assinalou que é primordial falar sobre a comunicação dos povos originários, sobretudo no marco do Dia Internacional da Língua Materna, celebrado em cada 21 de fevereiro.
“As ações são muitas para dar vida a 2012 como ano internacional da comunicação indígena e um dos objetivos é trabalhar para instalar nosso Direito à Comunicação em organismos internacionais e reformar este aspecto para dentro das organizações indígenas”, afirmou Jeannette Paillan, presidente da Coordenação Latino-Americana de Cinema e Comunicação dos Povos Indígenas (CLACPI) durante uma reunião preparatória da II Cúpula Continental de Comunicação Indígena do Abya Yala.
Fonte
A informação é da Organização Católica Latino-Americana e do Caribe de Comunicação - OCLACC, 24-02-2012. A tradução é do Cepat.
A decisão de dedicar este ano à comunicação indígena foi tomada durante a I Cúpula Continental Indígena, realizada em 2010, de tal maneira que se solicitou aos governos nacionais e a organismos internacionais para que incluam esta comemoração em suas agendas políticas e orçamentárias.
Segundo a Rede de Rádios do Sudeste Mexicano, há mais de 200 rádios comunitárias e indígenas que sofrem de hostilizações e repressão, que é mais forte nos Estados de Puebla, Oaxaca, Guerrero, Tabasco e Veracruz.
Por outro lado, o cineasta indígena José Luis Matias Alonso, de Guerrero, assinalou que é primordial falar sobre a comunicação dos povos originários, sobretudo no marco do Dia Internacional da Língua Materna, celebrado em cada 21 de fevereiro.
“As ações são muitas para dar vida a 2012 como ano internacional da comunicação indígena e um dos objetivos é trabalhar para instalar nosso Direito à Comunicação em organismos internacionais e reformar este aspecto para dentro das organizações indígenas”, afirmou Jeannette Paillan, presidente da Coordenação Latino-Americana de Cinema e Comunicação dos Povos Indígenas (CLACPI) durante uma reunião preparatória da II Cúpula Continental de Comunicação Indígena do Abya Yala.
Fonte
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