quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Proibir visitas de candidatos em reserva indígena é ilegal, diz MPF


O Ministério Publico Federal em Dourados informa que, ao contrario das noticias veiculadas nos últimos dias, não autorizou qualquer restrição à livre circulação de candidatos nas aldeias indígenas Jaguapiru e Bororó. Tampouco há autorização judicial para a medida.
O MPF foi avisado da intenção das lideranças em reunião ocorrida em julho deste ano. Na ocasião, advertiu os indígenas que não compactua com o impedimento à livre circulação de qualquer candidato na reserva, para apresentar suas propostas.
A reserva indígena de Dourados é a maior do país, com mais de de 12 mil índios, e é direito da comunidade, num regime democrático, conhecer os projetos dos candidatos.
Como o direito de ir e vir é garantido pela Constituição Federal, a virtual obstrução a este direito configura crime, pelo qual os responsáveis poderão ser denunciados, caso ela se concretize.

Fonte

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Colombia: Denuncian nuevo asesinato de joven indígena del pueblo embera de Antioquia

Servindi, 4 de agosto, 2012.- La Organización Indígena de Antioquia (OIA) denunció que el joven embera Carlos Mario Domicó Domicó, del municipio de Dabeiba, murió la noche del martes 31 de julio, víctima de la onda explosiva causada por bombas tiradas al aire por el Ejército Nacional.

El cuerpo del joven indígena fue conducido al día siguiente por miembros de su comunidad Nutria Tascón al Hospital del municipio de Dabeiba.
El Gobernador confirmó que el 31 de julio de 2012 entre las 9 y 10 de la noche, el Ejército empezó a lanzar bombas hacía el otro lado de la carretera desde el sitio conocido como Tascón en la vía hacia Urabá a la altura Dabeiba – Mutatá.
Uno de los explosivos cayó en la vivienda de la familia de Carlos Mario Domicó, de 17 años, quien dormía con su esposa Yaripuma Domicó, de la misma edad, quien tiene cinco meses de embarazo. El explosivo impactó al joven produciéndole la muerte de manera inmediata y dejó con heridas a la esposa.
En la zona de la vía Dabeiba – Mutatá donde ocurrió el hecho habitan indígenas del pueblo embera eyabida de las comunidades Choromandó Bajo y Alto Bonito Chovar del resguardo Monzhoromandó; Popalito y Nutria Tascón del resguardo Amparradó Nendó y las comunidades Chever, Taparales, Sabaleta, Santa Teresa pertenecientes al resguardo Chever.
Las comunidades han expresado que por muchos años han sufrido los efectos de la confrontación armada como bombardeos, minas antipersona, señalamientos a líderes y autoridades por todos los actores armados.
En los encuentros realizados para formulacr planes de salvaguarda del pueblo Embera en cumplimiento del Auto 004 de 2009 voceros de las comunidades afirmaron que tal situación ha generado inseguridad, miedo y limitado el acceso y goce de sus territorios.
Como parte de las acciones de salvaguarda las comunidades plantearon el retiro de los actores armados, incluyendo a la fuerza pública, en los territorios indígenas. Sin embargo hasta la fecha, subsiste la presencia de la fuerza pública y de otros actores armados que irrespetan a las comunidades y violan sus derechos.
La Organización Indígena de Antioquia (OIA) llamó la atención sobre esta nueva violación a los derechos humanos y al derecho internacional humanitario, “porque no está diferenciando a la población civil de los actores armados en conflicto”.
Así mismo, incumple la Directiva 016 de 2006 del Ministerio de Defensa cuyo objetivo es “Fortalecer la Política de reconocimiento, prevención y protección de los derechos humanos de las comunidades indígenas del país por parte de la Fuerza Pública”.
La citada directiva propone acciones, entre las cuales está “velar por la preservación de las comunidades indígenas y abstenerse de realizar acciones militares que pongan en peligro su integridad”.
La OIA exige al Estado Colombiano y al Ejército Nacional su compromiso de cumplir la Directiva Ministerial como un aporte concreto con la implementación del plan de salvaguarda del pueblo embera ordenado por la Corte Constitucional en 2009.
Finalmente, la OIA exige a la Fiscalía, Procuraduría, Defensoría del Pueblo, Personería y a los organismos humanitarios, la completa investigación y posterior judicialización de los miembros de la fuerza pública responsables de esta muerte, así como a las fuerzas militares y la indemnización integral a la comunidad y a la familia.

Fonte: SERVINDI

Indígenas mexicanos alfabetizados con el método cubano “Yo sí puedo”

De acuerdo con un información publicada hoy por El Sol de México, el Gobierno del Distrito Federal, a través de la Secretaría de Desarrollo Rural y Equidad para las Comunidades (Sederec), apoya a los habitantes indígenas en la capital del país con el programa de alfabetización “Yo, sí puedo”.
 
En su segunda etapa, que inició en marzo de este año, cuenta con 432 personas registradas, de las cuales 114 ya concluyeron su curso y el resto sigue en clases; se tiene previsto que finalicen en la primera quincena de septiembre. En su primera etapa, 149 personas fueron alfabetizadas.
El programa fue creado en Cuba en 2002 y a la fecha ha permitido la alfabetización de más de cinco millones de personas en más de 30 países; se basa en el aprendizaje a través de medios audiovisuales y un “facilitador” que funge como vínculo entre los asesores y el alumno.
Las personas indígenas radicadas en la Ciudad de México con mayor participación son de las comunidades Otomí, Nahua y Mazahua.
Los beneficiarios reciben un certificado avalado por el Instituto Nacional para la Educación de los Adultos (INEA) y el Ministerio de Educación de Cuba, cuyo curso está diseñado para concluir en siete semanas, si se trabajan dos horas de lunes a viernes.

Fonte: El Sol de México

Cacique Potiguara em coma


O cacique Potiguara Geusivan Silva de Lima, 30 anos, segue internado em estado grave no Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa, na Paraíba.

Vista parcial da terra indígena Potiguara, na Paraíba, altura do município de Baía da TraiçãoNas próximas 48 horas, de acordo com a assessoria de imprensa do hospital, a equipe médica submeterá o cacique a exames e testes para diagnosticar se ocorreu de fato morte cerebral.   

Geusivan foi baleado com dois tiros na cabeça durante atentado sofrido na noite desta terça-feira, 31, enquanto jogava dominó numa praça da aldeia Brejinho, município de Marcação, litoral norte paraibano. A lesão o fez perder massa encefálica dificultando ainda mais a recuperação.

Conforme uma testemunha do ataque, que prestou depoimento para a Polícia Federal, dois homens armados abordaram Geusivan e perguntaram se ele estava armado. Com a negativa do cacique, ordenaram que ele deitasse de bruços.

Antes de executá-lo, porém, os pistoleiros foram abalroados por Claudemir Ferreira da Silva, mais conhecido como Cacau, jovem que estava com o cacique na hora do ataque e não era indígena - os demais caciques o apontam como segurança de Geusivan. Cacau, no entanto, foi atingido por vários disparos e morreu no local. Tinha 37 anos.

No chão e ao lado do companheiro morto tentando defendê-lo, Geusivan recebeu ao menos três tiros, sendo dois deles na cabeça. Antes da fuga, de acordo com a testemunha, um dos assassinos disse: “Agora só faltam dois”.  

Informações não oficiais dão conta de que as armas utilizadas pelos pistoleiros eram revólveres calibre 38, descarregados no local. Também que um deles, o indivíduo que pilotava a moto, se manteve de capacete durante toda ação; já o acompanhante estava com o rosto à mostra.

De acordo com o cacique geral do povo Potiguara, Sandro Gomes Barbosa, o atentado não é um fato isolado e se soma a ameaças, agressões e tentativas de homicídio sofridas por sete caciques Potiguara e relatadas para a Polícia Federal e Ministério Público federal (MPF) entre 2011 e este ano.

A Polícia Federal abriu inquérito nesta quarta-feira, 1º. Questões fundiárias e um quadro de violência na região permeiam a lista de lideranças Potiguara marcadas para morrer.  

Questão fundiária     

No último mês de abril a comunidade da aldeia Brejinho retomou 90 hectares de área ocupada por fazendeiro de cana de açúcar - localizada dentro da terra indígena já demarcada, mas sem extrusão realizada pela Fundação Nacional do Índio (Funai).

Cacique Geusivan, apesar das dificuldades oriundas do fato de ter tido uma perna amputada depois de acidente automobilístico, liderou os indígenas. Tão logo se deu a reocupação da área, a comunidade colocou abaixo toda a plantação de cana, iniciando a construção de moradias e abrindo roçados.

À esquerda, cacique Capitão Potiguara, da aldeia Forte; à direita, o cacique geral Sandro Potiguara

A medida atendeu decisão dos 32 caciques Potiguara: dentro das terras indígenas do povo, nenhuma muda de cana deveria ser plantada e as lavouras existentes não renovadas; os arrendamentos de terra, por fim, impedidos. Como as cidades de Marcação, Rio Tinto e Baía da Traição se confundem com as aldeias, o policiamento foi intensificado para combater roubos e violências.

Tais medidas e a retomada de abril fizeram com que Geusivan passasse a sofrer ameaças. Nos últimos meses recebeu telefonemas dizendo que iriam arrancar a outra perna dele, além de avisos dando conta de que sua vida seria ceifada. Com os outros caciques não foi diferente, incluindo o cacique geral.

No mês de maio homens armados foram até a casa de Sandro, mas não o encontraram. “Meu filho disse que eu não morava mais ali, que tinha mudado de endereço. Se eu estivesse em casa teria sido morto. Em julho agora motoqueiros me perseguiram. Não vamos abandonar a luta, mas só Tupã mesmo para nos proteger”, afirma o cacique geral.

Ausência do Estado   

“Nunca a Funai tomou vergonha para tirar os não-indígenas das terras já demarcadas e até homologadas. Seguem aqui como posseiros que arrendam terras para a cana, latifundiários usineiros. Então a gente retoma terras e luta contra a cana e a consequência são as ameaças contra nossas vidas”, explica o cacique Aníbal Cordeiro Campos, da aldeia Jaraguá.

Na noite de 22 de março de 2009, um domingo, cacique Aníbal viu a porta de sua casa ser arrombada e por ela entrar homens armados. Tentou se defender, mas acabou levando cinco tiros. Sobreviveu e seguiu nas lutas Potiguara, mas traz no corpo ainda as marcas do ataque: uma bala alojada na cabeça.

A Polícia Federal instaurou inquérito, mas nunca chegou aos pistoleiros e possíveis mandantes. Este ano Aníbal voltou a receber ameaças, assim como o cacique José Roberto, o Bel, da aldeia Três Rios, e o vice-cacique Josesi, que também sofreu um atentado, além dos caciques Pintado, da aldeia Capoeira, Alcides, da aldeia São Francisco, cacique Capitão, da aldeia Forte e cacique Oliveiros, da aldeia Ibykuera.  

O clima de tensão e insegurança entre os Potiguara é grande, fazendo com que familiares e amigos de Claudemir Ferreira da Silva, morto ao defender o cacique Geusivan, pedissem escolta policial durante o velório e enterro. “Ontem (quinta-feira, 2) à noite deram tiros lá na aldeia Brejinho depois de enterrarmos Cacau. Essa é nossa situação”, lamenta cacique Bel.

As denúncias de ameaças registradas pelos caciques na Polícia Federal, ao menos em alguns casos, envolvem indígenas cooptados por latifundiários da cana de açúcar e não-indígenas que residem dentro do território de ocupação tradicional e arrendam áreas para a plantação de cana.

“É difícil de dizer quem é que está fazendo isso com nosso povo. A polícia precisa investigar para descobrir. Temos essa situação de combater a cana de açúcar, da violência, da luta pela terra, de impedir os arrendamentos, mas não podemos afirmar quem é”, analisa cacique Capitão. 

Situação das terras indígenas 

Os Potiguara do litoral norte da Paraíba se dividem em 32 aldeias entre as três terras indígenas registradas e declaradas pelo governo: Jacaré do São Domingos, Potiguara de Monte Mor e São Miguel. Juntas somam 35.328 hectares. A ocupação não-indígena nelas é acentuada. Em São Domingos, posseiros plantadores de cana conseguiram liminares na Justiça para continuarem na terra já registrada.

Em São Miguel uma usina de cana ocupa área de 14 mil hectares e joga no rio que corta o território vinhoto, inutilizando-o para a pesca do camarão e peixe, prática tradicional dos Potiguara, durante seis meses no ano. Já nas aldeias que compõem a terra Monte Mor, a presença não-indígena ultrapassa 7 mil indivíduos em 1.653 ocupações, além de mais usinas de cana de açúcar.

“É muita covardia: dentro de nossa terra, da qual somos filhos, andamos assombrados. Porém, não tenho medo de bandido e se tiver que morrer defendendo meu povo, se essa for a vontade de Tupã, que seja feita. Não vou abandonar a luta”, enfatiza o cacique geral Sandro Potiguara. 
Por Renato Santana,
de Brasília

Indígenas guatemaltecos podrán acceder a Facebook en su lengua autóctona

Informáticos estadounidenses desarrollaron una herramienta para brindar acceso a la red social a los indígenas Kakchiquel.



Los indígenas guatemaltecos Kakchiquel tendrán acceso a la red social Facebook en su lengua autóctona a partir de la próxima semana gracias a una aplicación desarrollada por ingenieros informáticos estadounidenses, informó hoy la prensa local.
La aplicación fue creada por el estadounidense Robert Henderson para la organización no gubernamental Wuqu” Kawoq, que significa siete hogares en Kakchiquel, y la herramienta estará lista para que se comience a utilizar desde el próximo jueves.
El desarrollador explicó que con la aplicación se rompen las barreras idiomáticas en la tecnología porque unos 700.000 guatemaltecos que hablan Kakchiquel tendrán acceso a la red social de Facebook en su lengua materna.
Henderson dijo a un diario que mucha población indígena guatemalteca se mantiene al margen de esta red debido a que encuentran complicaciones por estar en inglés o en español.
Según el estadounidense, Facebook está traducido a 47 idiomas a nivel mundial pero en Guatemala ninguna comunidad lo tiene en su lengua, por lo que decidieron crear este proyecto hace dos meses a un costo de 100 dólares con los que se adquirió el espacio en la red mientras que los miembros del equipo donaron su tiempo para desarrollar la aplicación.
Explicó que un grupo de ingenieros informáticos de Estados Unidos encabezados por Kevin Scannel, contribuyó a adaptar los términos del Kakchiquel, que también podrá usarse en el extranjero.
Según el experto, en el buscador de los navegadores de Mozilla Firefox o Google Chrome se deberá escribir washwuj.com (que significa facebook en Kakchiquel) para descargar la aplicación que cambiará el idioma.

Fonte: Guatemala EFE

Índios protestam por dignidade em aldeias

O bloqueio é motivado para conseguir a construção de escolas, pela emissão de documentos pessoais

Jean Paterno

Indígenas de aldeias da região de Guaíra, no Extremo-Oeste do Paraná, prometem realizar um protesto nesta segunda-feira. Eles pretendem mobilizar cerca de quatro mil pessoas e fechar a Ponte Ayrton Senna, que liga Paraná e Mato Grosso do Sul, a partir das 8h. Os líderes da manifestação informam que a passagem de veículos permanecerá interrompida até que autoridades decidam atender, de uma vez por todas, as suas reivindicações.
O bloqueio é motivado para conseguir a construção de escolas, pela emissão de documentos pessoais aos indígenas e também pela construção de moradias. Outro problema grave e que contribui para a manifestação é a urgência da demarcação de áreas atualmente ocupadas por índios da etnia guarani. A solicitação é antiga e a falta de solução tem causado sérios problemas a famílias que moram em Guaíra e também em Terra Roxa.
Antigo
A situação de abandono dos indígenas dessa região do Extremo-Oeste paranaense não é nova. O Ministério Público Federal de Umuarama, no Noroeste do Estado, chegou a mover ações contra prefeituras, Governo do Paraná e até a União cobrando soluções urgentes às dificuldades enfrentadas pelas famílias. Sem a regularização das áreas, os indígenas têm encontrado dificuldades em receber auxílio, recursos e atenção a programas considerados básicos. Até fome as famílias afirmam estar passando.
Regularização
Há cerca de três meses, uma audiência foi realizada em Guaíra com representantes das comunidades indígenas, órgãos públicos, Funai, Secretaria Especial de Assuntos Fundiários do Paraná e Ministério Público Federal. O consenso do encontro foi a busca de soluções urgentes para as carências da população nativa, com prioridade a questões essenciais e de regularização das áreas, que, segundo o secretário de Assuntos Fundiários, Hamilton Serighelli, deverá ocorrer até o fim deste ano.

Fonte: O Paraná

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Cacique baleado em terra indígena paraibana segue internado em estado grave

 Baleado na noite da última terça-feira (31), o cacique potiguar Geusivam Silva de Lima, de 30 anos, continua internado em estado grave no Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa, na Paraíba. Segundo o hospital, o paciente será submetido a testes para verificar se reage. Segundo testemunhas, o cacique foi baleado por dois motoqueiros ainda não identificados quando jogava dominó com o também índio Claudemir Ferreira da Silva, 37, e dois adolescentes, na Aldeia Vergonha, em Marcação, no litoral norte paraibano. Silva, que cuidava da segurança de Lima, foi baleado na cabeça e morreu no local. O cacique, que também tomou dois tiros na cabeça, foi levado em estado grave para o hospital estadual. A frente da luta pelo reconhecimento dos direitos de seu povo à Terra Indígena Potiguara, Lima já havia recebido várias ameaças de morte, tendo inclusive registrado queixas na superintendência da Polícia Federal no estado e na delegacia de polícia de Rio Tinto. Na última delas, do início de maio, Lima acusava um outro índio de tê-lo ameaçado por causa de uma disputa material. Segundo o superintendente da Polícia Federal no estado, Marcelo Diniz Cordeiro, um inquérito policial foi instaurado na quarta-feira (1º) e o delegado designado para o caso está tentando apurar se o crime teve motivações pessoais ou se o objetivo era atingir a comunidade indígena por meio do cacique. ''Ainda é cedo para apontarmos o que de fato aconteceu. Estamos averiguando todas as possibilidades, considerando todas as informações já obtidas'', disse o superintendente à Agência Brasil. Conforme Cordeiro, testemunhas relataram que os autores dos disparos foram de fato dois motociclistas e que o cacique já havia relatado ter sofrido ameaças de morte. De acordo com dados do Instituto Socioambiental, organização não governamental, cerca de 15 mil índios vivem espalhados em 32 aldeias que compõem as cinco terras indígenas no estado, que juntas somam aproximadamente 20 mil hectares (um hectare corresponde a um campo de futebol oficial). As terras estão localizadas nas cidades paraibanas de Baía da Traição, Marcação e Rio Tinto. Tradicionalmente, cada aldeia do povo potiguar tem seu próprio cacique. Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), ao menos nove caciques que vivem na Terra Indígena Potiguara foram ameaçados de morte somente este ano. Sete deles teriam registrado queixa da ocorrência. A organização indigenista, ligada à Igreja Católica, relembra casos de agressão contra lideranças potiguaras, como o atentado contra o cacique Aníbal Potiguara, baleado dentro de casa, na aldeia Jaraguá, em Rio Tinto, em março de 2009. Na ocasião, Aníbal vinha denunciando a invasão da área indígena por plantadores de cana. Ainda segundo o Cimi, em abril deste ano, Lima liderou um grupo de índios que retomaram uma área de 90 hectares pertencente à terra indígena na aldeia Brejinho, em Marcação, que vinha sendo usada para o plantio de cana. De acordo com o Cimi, existem disputas internas e divergências entre os índios, que estariam sendo alimentadas pelo interesse de usineiros da área.
Alex Rodrigues Repórter Agência Brasil Brasília -
Edição: Carolina Pimentel
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Briga por política divide indígenas nas aldeias de Dourados


A campanha política está mexendo com a comunidade indígena de Dourados. De um lado, lideranças são a favor da nova medida que barra a entrada de não-índios na Reserva, nesse período eleitoral. De um outro, lideranças criticam essa postura e declaram que o voto tem que ser democrático, devendo os demais candidatos adentrarem as aldeias Jaguapiru e Bororó.
Desde o início da semana começou a valer a medida que barra a entrada de não-índios na Reserva. Fiscais indígenas estão fazendo pente-fino para cumprirem o rigor. A operação é autorizada na justiça e conta com o apoio da Funai e dos caciques Vilmar Martins Machado (Jaguapiru) e César Isnarde (Bororó).
Para Renato de Souza, um dos dezenas de indígenas intitulados capitão da aldeia Jaguapiru, a medida de barrar não-índios é antidemocrática. “Cada um vota em quem quiser. Não sou obrigado a votar em um patrício aqui da aldeia”, disse ele. Três candidatos da Reserva disputam esse ano as 19 vagas da Câmara Municipal.
Renato disse que irá reunir os demais 45 líderes da aldeia Jaguapiru para fazer um outro documento e permitir a entrada dos demais candidatos na Reserva.
As aldeias de Dourados sempre foram locais onde candidatos manipularam os indígenas para arrancar voto. Dos pouco mais de 13 mil indígenas, cerca de 6,5 mil são eleitores, quantidade duficiente para eleger pelo menos três vereadores em Dourados.
Fonte

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

I Encontro da Juventude Terena: Repudiamos a Portaria 303 da AGU que flagrantemente afronta a autonomia de nossas lideranças e comunidades


HÁNAITI  Ho’ únevo têrenoe
(Grande assembleia do povo terena)
I Encontro da juventude terena
Hánaiti Ho’únevohiko Inámati xâne têrenoe
Aldeia Bananal, 27, 28 e 29 de julho de 2012

Na abertura, a juventude presente (Terena, Kadiwéu e Guarani – Kaiowá), presta suas homenagens ao Professor Antônio Brand (in memorian). Pela sua brilhante passagem aqui na terra e pelo legado que deixou para os povos indígenas, em especial os acadêmicos indígenas. "Professor Brand nos ensinou a não ter vergonha de ser índio e sim nos orgulhar disso, em qualquer lugar" (...)
 
Nós, Juventude Terena, reunidos na Aldeia Bananal, T.I. Taunay/Ipegue nos dias 27, 28, e 29 de julho, com jovens representantes da Aldeia Bananal, Aldeia Ipegue, Aldeia Água Branca, Aldeia Lagoinha, Aldeia Passarinho, Aldeia Lalima, Aldeia Cachoeirinha, Aldeia Mãe Terra, Aldeia Buriti, Aldeinha – Anastácio e Aldeia Limão Verde; juntamente com jovens representantes do Povo Kadiwéu e Conselho da Aty Guasu Jovens – Guarani/Kaiowá. E também, nossas lideranças, nossos anciões, nossos professores e comunidade, após refletir sobre a temática do encontro “O Despertar da juventude indígena terena” (Iyúkeovohiko isóneuhiko kali kopénotihiko têrenoe), viemos a público expor:

O Conselho da Juventude Terena faz parte da HÁNAITI Ho’ únevo têrenoe (Grande assembleia do povo terena), e nesse intuito se junta com o movimento indígena na luta pelos seus direitos. Tendo por objetivo sempre defender os princípios do bem viver de nossas comunidades. O I Encontro da Juventude Terena, nasceu no bojo da discussão na HÁNAITI Ho’ únevo têrenoe (Grande assembleia do povo terena), realizado na aldeia Imbirussú em junho de 2012.

Em primeiro lugar, ressaltamos que não iremos negociar nossos direitos já conquistados e consagrados pela Constituição Federal. Repudiamos novamente a Portaria n. 303 da AGU, que flagrantemente afronta a autonomia de nossas lideranças e comunidades. Denunciamos o ato do Advogado Geral da União, quando da publicação da referida portaria, ignorou o que reza a convenção 169 da OIT. E ainda, exigimos a revogação da Portaria 303 da AGU, e não apenas a sua suspensão. Nossas lideranças não irão sentar-se a mesa com o governo para negociar nossos direitos.
 
Tendo esse encontro o objetivo de despertar da juventude terena para o movimento indígena, queremos a partir de então, juntamente com nossas lideranças tradicionais, professores e anciões, agregar a juventude terena, sejam aqueles que estejam na universidade estudando, sejam aqueles que estão na aldeia nas escolas e igrejas, unindo forças em torno do bem comum de nossa comunidade.

Nossa língua, expressão máxima de nossa cultura, deve ser valorizada. Nesse sentido, reconhecemos a necessidade de valorizar nossas tradições, nossos anciãos e lideranças tradicionais. Recorremos a nossos pais, avós e professores que unam seus esforços no sentido de reavivar a nossa língua materna e nossa história.

Queremos uma escola indígena que se apóie em nossa cultura e cosmovisão. Tendo como princípio fundamental um regime de acordo com a sistemática de nossa comunidade.          

Guarani-Kaiowá e Nhandeva levarão denúncias à OEA


"Não agüentamos mais, tantas promessas de cada presidente da Funai ou da República que vem nos visitar prometendo devolver nossas terras, usando de nossas esperanças para prometer mais prazos de demarcação que nunca são cumpridos. O que nos chega realmente são mais cruzes para colocar nos túmulos de nossas lideranças assassinadas pelos fazendeiros do agronegócio.
Por isso, não vamos mais esperar! Nosso prazo acabou! Vamos fazer a retomada de nossas terras até o último guerreiro!"
Essas palavras dos Kaiowá Guarani expressas no documento final da Aty Guasu realizada na Terra Indígena Rancho Jacaré, no município de Laguna Carapã expressa a dramática situação porque passam as comunidades nos confinamentos e acampamentos à beira das estradas. Reflete de maneira contundente a consciência dos direitos e a resoluta decisão de lutar pelos seus tekohá, territórios tradicionais.
Desta vez não apenas estão fazendo um apelo e dando prazos. Decidiram por medidas mais extremas, como levar a denúncia contra o Estado brasileiro à OEA, conforme expressa o documento da Aty Guasu: "Diante da morosidade em garantir nossas terras; da violência a qual nossas lideranças e comunidades estão submetidas e do genocídio conseqüente desta ausência efetiva do estado em nos proteger e devolver nossas terras. Decidimos efetivar a denúncia contra o Estado brasileiro, na Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americano - OEA".
A questão da não demarcação das terras Kaiowá Guarani no Mato Grosso do Sul, parece um drama surrealista. É inacreditável o menosprezo com que os governantes tripudiam sobre as leis e a Constituição, descumprindo prazos e obrigatoriedade de demarcar todas as terras indígenas há 34 anos. Três presidentes da ditadura militar, e depois cinco presidentes que fizeram e estão fazendo a transição para a democracia política com ditadura econômica do sistema neoliberal capitalista. Infelizmente o atual governo segue o mesmo caminho, sendo provável que Dilma, daqui dois anos e meio diga o mesmo que Lula ao deixar o governo: "Fiquei em dívida com os Guarani!”.
Já passaram mais de mil dias, mais de três anos do prazo para que os relatórios de identificação das terras Kaiowá Guarani fossem publicados. O prazo estabelecido pelo Termo de Ajustamento de Conduta - TAC, assinado pelo Ministério Público Federal, a Funai e lideranças indígenas estabeleceu a data de 30 de junho de 2009 para que os relatórios fossem concluídos e publicados. Isso sob pena de multa diária de mil reais, ou seja, a Funai e o governo deveriam pagar mais de um milhão de reais em multas. Já seria um bom recurso para agilizar os processos de reconhecimento e demarcação das terras dessas comunidades.
Outra questão de terra com relação às quais os participantes da Aty Guasu tomaram uma firme decisão foi com relação às terras cujos processos de regularização estão paralisados em função de decisões judiciais que nunca são julgadas: "Temos várias terras que já foram inclusive homologadas e nosso povo continua morando a beira das estradas, enquanto fazendeiros destroem nossas terras. Em um ano vamos recuperar estas terras que o Poder Judiciário nos nega violentando nosso povo".
Lista das lideranças marcadas para morrer
"Sabemos que a organização criminosa histórica dos fazendeiros tem lista das lideranças indígenas que serão perseguidos e mortos por mando dos fazendeiros, observamos que em parte alguns juízes federais da justiça colaboram com os planos e as ações dos pistoleiros do Mato Grosso do Sul" (idem documento Aty Guasu).
Essa situação de extrema violência e ameaças contra a vida das lideranças que lutam por seus direitos se reflete nos inúmeros assassinatos ocorridos nas últimas décadas. Inúmeras campanhas nacionais e internacionais foram feitas exigindo providências, que passam fundamentalmente pela demarcação das terras e punição dos responsáveis pelos assassinatos.
"Da Polícia Federal esperamos uma retratação pelas acusações mentirosas que fez no início das investigações, dizendo que nossas lideranças da Aty Guasu estavam mentindo quando afirmávamos que Nísio Gomes havia sido assassinado sim" (idem).

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Índios Kaingáng comercializam ervas na praça do Cinquentenário

Uma família indígena da etnia Kaingáng da aldeia Bananeiras, do posto indígena Guaritas do município de Miraguai (RS), está em Dourados comercializando ervas medicinais. O casal Ido Galvão e Alzina Sales trabalham há vários anos com plantas medicinais e percorrem todo o país.

Na cidade, os dois e o filho João estarão com produtos para o tratamento de várias doenças, que segundo eles faz sucesso por onde passada. Ido Galvão, que trabalha há 40 anos com plantas e ervas medicinais, é pajé da aldeia onde reside. Segundo ele, sua experiência e vivência deu esse posto à ele. “Sou pajé da minha aldeia por conhecer todos os medicamentos que podem ser retirados da natureza”, falou Ido.
O pajé trouxe para Dourados, 90 tipos diferentes de ervas para diversos tratamentos. “Reumatismo, diabetes, estresse, dores musculares, cólicas, dores de cabeça e até mesmo impotência sexual. A cura para essas e outras doenças pode ser encontrada nas ervas e raízes com poderes medicinais”, é o que afirma o casal de índios.
Ele conta que aprendeu a trabalhar com as ervas com a avó, que era uma famosa ‘raizeira’. “Aos oito anos já ia com minha avó para o mato à procura de raízes”, relatou. “Com 12 anos comecei a fazer remédios com as ervas”, conclui.
Esse mês, a família já passou pelas cidades de Miranda, Ponta Porã e Bonito. Ido e Alzina estarão na praça do Cinquentenário a partir de hoje das 9h às 17h. Os indígenas ficaram na cidade até o próximo sábado.

Fonte: Dourados Agora

Lideranças deflagram operação contra a compra de votos nas aldeias

Lideranças começam hoje operação nas aldeias Bororó e Jaguapiru contra a politicagem na Reserva Indígena de Dourados. De acordo com o terena Celso Mamede, o objetivo é fiscalizar a compra de voto que, em geral, é trocado por cestas básicas, bebidas alcoólicas, transporte e remédios, entre outros.


Há duas semanas, representantes das aldeias entregaram no Ministério Público Federal (MPF) um documento assinado pelos caciques Vilmar Martins Machado (Jaguapiru) e César isnarde (Bororó), onde consta uma série de motivos que justificariam impedir o livre acesso de não indígenas nas aldeias.
Durante este período, apenas os veículos oficiais não necessitarão de autorização, diz o documento. Foi decidido que, a partir de agora, todas as pessoas que adentrarem a Reserva terão que passar por uma triagem, a cargo das lideranças indígenas. A medida foi tomada principalmente para tentar barrar a entrada de candidatos nas aldeias.
“Servirá como forma de protesto contra o descaso dos políticos locais frente a situação de desprezo que fazem à nossa comunidade, pois todas as vezes que procuramos as autoridades políticas locais, estas dizem que nossos problemas são de responsabilidade federal”, diz trecho do documento, que também foi entregue à Funai e Polícia Federal.

Fonte: Dourados Agora