sexta-feira, 17 de junho de 2011

Indígenas rompem com governo e exigem reunião com Dilma

O movimento indígena decidiu romper com o governo federal até que a presidenta Dilma Rousseff receba lideranças para dialogar. Eles acusam "descaso e paralisia" do Executivo federal em questões relacionadas a populações indígenas. Entidades ligadas à Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) decidiram deixar a Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI).

A Apib congrega cinco associações de povos indígenas. Segundo nota publicada na página da organização, 230 desses povos relatam "graves problemas" relacionados à saúde, à criminalização, à violência contra lideranças e à lentidão no processo de demarcação de terras.

O CNPI é uma instância criada em 2006, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, para funcionar como canal de diálogo entre o Executivo e os povos indígenas. Apesar desse compromisso, a gestão atual teria deixado de fazer consultas. A comissão reúne representantes das organizações regionais indígenas, membros do governo e de organizações indigenistas.

O episódio marcante, que serviu como "gota d'água", foi uma portaria do Ministério da Justiça e da Fundação Nacional do Índio (Funai) a respeito de uma das 19 condicionantes estabelecidas para a demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol. A resolução determina que prefeituras e o governo do estado de Roraima participem do processo de demarcação da terra indígena.

"No país, a maioria dos estados e dos municípios são governados por inimigos dos índios", afirma Francisca Pareci, representante da Apib. "Temos plena consciência disso, mas o governo fez isso passando por cima da CNPI", criticou.

Além da demarcação, julgada procedente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2009, há outros pontos de atrito com o governo. Grandes obras públicas, como a Usina de Belo Monte e a transposição do Rio São Francisco, provocam impacto sobre povos indígenas.

"Não aceitamos falar com a Casa Civil nem com representante da Presidência. Dilma tem de nos ouvir", avisa Francisca. "É como se índio fosse insignificante, ninguém discute conosco", acusa. Para Francisca, a proposta de transferir comunidades para outras áreas porque os índios "estão na rota do PAC" é inaceitável.

A demanda de reunião com Dilma será seguida de reivindicações. Tudo começa com uma agenda de trabalho na qual o Palácio do Planalto assuma o compromisso de atender pleitos apresentados pelo movimento durante o Acampamento Terra Livre, mobilização que ocorreu de 2 a 5 de maio, em Brasília.

No encontro com a base do movimento, a Apib foi questionada por integrar a CNPI, que estava nas mãos do que a Funai encaminha. Francisca faz duras críticas ao presidente da fundação, Márcio Meira, acusando-o de ter tranformado o órgão em um "balcão de negócios" e de manter um discurso diferente para o governo, outro para indigenistas e outro para lideranças indígenas.

Procurada, a Funai encaminhou nota em que afirma que o presidente substituto da entidade e da CNPI, Aloysio Guapindaia, suspendeu a reunião prevista para esta quinta e sexta-feiras "em respeito à posição da bancada indígena". A fundação sustenta que a decisão dos indígenas causou surpresa.

"Desde sua criação, a CNPI conquista importantes avanços para a política indigenista nacional. O governo federal trabalha pela continuidade deste espaço democrático de diálogo com os representantes dos povos indígenas, e pela criação do Conselho Nacional de Política Indígenista, em substituição à Comissão", completa a nota da Funai.

Criada em 2005, a Apib reúne a Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme), a Articulação dos Povos Indígenas do Pantanal e Região (Arpipan), a Articulação dos Povos Indígenas do Sudeste (Arpinsudeste), Articulação dos Povos Indígenas do Sul (Arpinsul), a Grande Assembleia do Povo Guarani e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab).

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Ações do Programa Aldeia Produtiva


A Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer) em ação conjunta com a prefeitura municipal de Dourados realizou no dia 15 uma reunião com os coordenadores das aldeias Bororó, Jaguapiru e Panambizinho visando iniciar atividades de preparo do solo para o cultivo de mandioca de mesa e batata doce, por meio do Programa Aldeia Produtiva.

Através da ação, os indígenas dos grupos familiares já cadastrados na Agraer para participar do programa receberão óleo diesel para realizar o plantio e terão assitência técnica durante todo o ciclo da cultura. De acordo com o técnico da Agraer de Dourados, José Aparecido Simão está previsto o preparo de solo de 400 hectares para o plantio de ramas de mandioca e de 60 hectares para o plantio de batata doce. A ação beneficiará 91 grupos, num total de 800 famílias indígenas.

Programa
Com recursos de R$ 8 milhões por parte do governo do Estado, o programa desenvolvido pela Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer) tem como principal objetivo inserir as aldeias indígenas no sistema produtivo, de forma a garantir a subsistência dos que nelas vivem por meio da produção e comercialização de produtos oriundos da terra.

Por meio do Aldeia Produtiva estão sendo distribuídos aos índios óleo diesel; sacas de sementes de arroz e milho safrinha; kits de hortas e kits pomares compostos por mudas de tangerina, limão, coco, acerola, maracujá, calcário e adubo, além de 68 patrulhas mecanizadas compostas por tratores, arados e carretas agrícolas.

Por meio do programa são realizadas também junto às famílias, visitas técnicas e cursos de capacitação, além da elaboração de projetos de crédito rural e aquisição de produtos para fomento das ações ligadas à produção de leite, mandioca, milho, arroz e também às atividades ligadas à apicultura.

Mato Grosso do Sul apresenta atualmente a segunda maior população indígena do país com mais de 64 mil pessoas distribuídas em 73 aldeias.

Reserva indígena de Dourados - Comércio toma Bolsa Família da aldeias


Proprietários de alguns mercados e mercearias dentro e fora da Reserva Indígena de Dourados estariam retendo cartões bancários de índios para liberarem compras, principalmente de bebidas alcoólicas. De acordo com lideranças das aldeias Jaguapirú e Bororó, os comerciantes denunciados seriam do ramo alimentício e vestuário. Eles estariam espalhados pela Reserva e bairros de Dourados.


A denúncia acontece depois de deflagrada a operação Tekohá, da Polícia Federal, que apreendeu dezenas cartões de benefícios e carteiras de trabalho com supostos traficantes nas aldeias.

Em entrevista concedida ao site Douradosagora, o delegado Antônio Carlos Moriel Saches, de Brasília, disse que as carteiras de trabalho apreendidas já estão sendo devolvidas aos indígenas. Ontem mesmo, dezenas deles estiveram na Delegacia da Policia Federal para retirar os documentos. Conforme a PF, as carteiras de trabalho estavam nas mãos "cabeçantes" que arregimentavam trabalhadores indígenas para prestarem serviço nas usinas. A prática é comum entre as empresas e o "contratado”, uma vez que este fica com a responsabilidade de conseguir a quantidade de indígenas necessária para executar determinadas tarefas, como o corte de cana. O “cabeçante" ganha comissão pelo trabalho dos índios, mas em contrapartida fica responsável por eles no período em que estes prestarem os serviços para a usina.

O delegado está ouvindo os indígenas que comparecem para retirar a documentação para dar continuidade às investigações.


MÁFIA DOS CARTÕES


De acordo com lideranças dos indígenas, o fato é que a maioria das famílias, com pouca instrução, são facilmente exploradas. Segundo eles, os índios se tornam presas fáceis para golpistas que se aproveitam da fragilidade das vítimas para os negócios e práticas comerciais. Os cartões bancários de aposentados, pensionistas ou beneficiários de programas do governo federal como o Bolsa Família, seriam utilizados para garantir o pagamento de compras.

Segundo ainda as lideranças, o comerciante vende a prazo para o indígena, mas retém o cartão dele e no dia do pagamento do beneficio o próprio comerciante ou um funcionário do estabelecimento vai até o caixa eletrônico e faz o saque da conta do indígena. Em outras situações há denúncias de que no dia de receber o pagamento os comerciantes levam grupos de indígenas para o interior dos bancos para sacarem o benefício. O dinheiro recebido serve para quitar a dívida junto ao comércio, que abre novo “crédito” para as compras do mês seguinte.


A prática, realizada sem nenhuma fiscalização, abre margem para verdadeiros “roubos”, já que alguns indígenas não sabem quais foram o valores sacados e se estas quantias são, de fato, o que eles tinham consumido nos estabelecimentos.

De acordo ainda com as lideranças, a retenção do cartão, por parte de comerciantes, gera o que eles chamam de “escravidão financeira” do indígena, já que ele sempre vai permanecer endividado naquele estabelecimento e conseqüentemente perde a liberdade de procurar atendimento em outras mercearias e buscar melhores preços.


MPF

As denúncias de retenção de cartões por comerciantes de Dourados chegaram ao conhecimento do Ministério Público Federal. De acordo com o procurador da república, Marco Antônio Delfino de Almeida, duas operações foram realizadas no ano passado para coibir a prática. Na ocasião, comerciantes foram denunciados à Justiça e respondem a processo.

Conforme o procurador, diante das novas denúncias o MPF pode iniciar novo arrastão no município para combater a irregularidade. O ideal para evitar este tipo de crime, segundo o procurador seria uma fiscalização policial permanente, o que ele está tentando viabilizar. O Procurador alerta que o comerciante flagrado pode responder por crime de estelionato e se condenado ser obrigado a cumprir penas que chegam até quatro anos de prisão.


PF usa caminhão como delegacia em reserva indígena de Dourados


A Polícia Federal iniciou nesta terça-feira (14) a estratégia de usar uma delegacia móvel na aldeia Jaguapiru, em Dourados, a maior do estado. A equipe usou um caminhão, que foi estacionado em frente da escola Tengatui, posto que deve ficar em funcionamento durante quatro meses.

“Agora a gente está mais tranquila. Estamos dormindo mais, porque a gente sabe que eles estão aí”, disse a indígena da etnia terena Terezinha Mamed.

Por dentro, o caminhão vai funcionar como uma espécie de delegacia. Foi montado um escritório com energia elétrica, ar condicionado e computadores. No local serão registrados os boletins de ocorrência e os índios serão ouvidos sem que seja necessário sair da aldeia.

A Polícia Civil também vai trabalhar no veículo. Na aldeia Bororó não haverá um ponto fixo. A segurança será feita com viaturas. Os horários das rondas são estabelecidos com base nas denúncias que chegam. O policiamento não está de plantão 24 horas.

“Eu não sei se teremos condições (de permanecer) 24 horas, mas alternaremos os horários das atividades de acordo com a demanda“, disse o delegado da Polícia Federal, Vinícius Binda.

A operação Tekoha começou na sexta-feira (10) quando os policiais entraram nas terras indígenas. Três pessoas foram presas apontadas pela polícia como chefes do tráfico de drogas na reserva. A ação, agora, é voltada à prevenção contra criminalidade.

A indígena da etnia guarani Mônica Aquino nasceu na aldeia Jaguapiru e, aos 56 anos, já presenciou muita violência. “Moro sozinha, sou viúva, não aguentava mais. A gurizada andava com facão, foice revólver e até invadiram minha casa”, disse a moradora da aldeia.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Saúde intensifica detecção de doenças em população indígena do Tocantins

O Ministério da Saúde promove até o próximo dia 17 as ações para detecção e tratamento de doenças transmissíveis por vetores como chagas, malária e leishmaniose em população indígena do Tocantins. O trabalho iniciado na última segunda-feira (06) fará o atendimento de aproximadamente 2 mil indígenas de nove aldeias. A ação também inclui a realização de testes de hepatites A, B e C.

A iniciativa é promovida pelo Distrito Sanitário Especial Indígena de Tocantins (DSEI-TO), ligada a Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, em parceria com Secretaria de Saúde do Estado. A execução do trabalho ocorrerá em duas fases. A primeira será realizada nas aldeias Riachinho, Mariazinha, Girassol, Prata e Serrinha. As ações serão coordenadas pela a equipe multidisciplinar de saúde indígena do Pólo-base de Tocantinópolis, e contará com a ajuda de técnicos da Secretaria Estadual e Municipal de Saúde do Estado, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz e da Universidade Federal de Tocantins, além de técnicos do Laboratório Central de Tocantins.

A segunda fase consistirá no atendimento de outras aldeias prioritárias da região: São José, Botica, Bonito e Patizal. Essa fase será realizada pela equipe de saúde do pólo-base de Tocantinópolis, com apoio técnico e logístico do DSEI-TO, e atendimento médico do DSEI-Araguaia.


CAPACITAÇÃO – Até amanhã (09) os enfermeiros de todos os Pólos do DSEI-TO estarão na sede do distrito para participarem de Seminário e Oficina para implantação do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional na Atenção Básica (Sisvan). A capacitação é promovida pela Secretaria de Estado da Saúde do estado com o apoio da UNICEF.

O Sisvan é um sistema do SUS que tem como principal objetivo diagnosticar a situação alimentar e nutricional da população, identificando segmentos sociais e grupos populacionais de maior risco aos agravos nutricionais, sejam eles de baixo peso ou obesidade.

O DSEI aproveitará a oportunidade do curso, para reunir todas as áreas técnicas do Distrito para discutirem as práticas de saúde executadas e propor a reorganização do serviço. Segundo a chefe do DSEI Tocantins, Ivaneizilia Noleto, a promoção de eventos desse tipo tem como objetivo elevar o nível técnico dos profissionais de saúde e complementar a rotina executada pelas equipes multidisciplinares nas aldeias.


COMO FUNCIONA A ASSISTÊNCIA – Os 751 postos de saúde das comunidades indígenas de todo o país são as bases da atuação das equipes multidisciplinares de saúde indígena, composta por médico, enfermeiro, odontólogo e auxiliares, além dos Agentes Indígenas de Saúde (AIS) e dos Agentes Indígenas de Saneamento (AISAN). Os agentes moram nas aldeias e são indicados pelos Conselhos Locais de Saúde Indígena. A eles competem ações de atenção primária, saneamento e educação em saúde. (Informações da Agência Saúde)

Policia Federal cumpre mandados nas aldeias de Dourados


Polícia Federal e Força Nacional deflagram operação conjunta na Reserva Indígena de Dourados contra o tráfico de drogas e armas. Segundo noticiaram, ontem, o Douradosagora e O Progresso, foram identificados pelo menos 40 pontos de venda de entorpecente nas aldeias Bororó e Jaguapiru. A informação foi confirmada pelo Observatório Indígena.

Na manhã desta sexta-feira, agentes federais se posicionaram em vários pontos da Bororó e Jaguapiru. Doze equipes policiais cumprem mandados de busca e apreensão e de prisões. Já nas primeiras horas de hoje foram apreendidas drogas e armas. Pontos de venda de droga foram fechados. O clima é tenso entre indígenas que temem um confronto entre traficantes e policiais. O Douradosagora e jornal O Progresso acompanham o andamento dos trabalhos.

Conforme levantamentos a ausência de policiamento ostensivo nas aldeias favoreceu a instalação do tráfico em dezenas de casas, muitas das quais foram tomadas das famílias como pagamento a dívida com traficantes. Por conta da facilidade em atuar na Reserva, nem mesmo as escolas e estudantes escapam das garras do narcotrárico.

As drogas chegam facilmente às salas de aula na Reserva indígena de Dourados. Na escola Tengatui Marangatú, professores convivem com o medo devido a falta de segurança.

Conforme o diretor da escola, Josias Aeda Marques, os alunos falam muito sobre uso de maconha e o estado de “nóia” que o entorpecente causa. Ele acredita que o ingresso dos adolescentes no mundo do crime, através dos traficantes que se refugiam nas aldeias, é evidente. “A venda das drogas é tão fácil nas aldeias que há relatos de alunos e pais sobre o envolvimento de adolescentes em esquema de disk entrega da droga”, lembra.

Foi preciso uma força-tarefa entre os educadores e direção da escola para evitar que o “mal” das drogas se espalhasse entre os alunos. O diretor da escola, Josias, contou à reportagem que logo que assumiu o comado da escola, em 2009, a situação era de caos. Alunos andavam livremente, segundo ele, com armas brancas e entorpecentes. Na época um aluno de 17 anos, viciado em drogas, teve que ser retirado da escola para tratamento médico, mesmo contra vontade.

Ele agredia com socos e tapas as crianças menores. Além disso, tentou agredir um coordenador”, conta. Segundo ele, a mãe informou na época que ele passou por tratamento, esteve internado, mas voltou ao mundo do vício e consequentemente ao crime. Segundo ele, outros casos foram registrados. “Os alunos são vítimas os pais alcoólatras ou viciados em drogas.

Fazendeiros entram com reintegração de posse

Proprietários de terra que tiveram área ocupada por índios em Dourados, ingressaram com pedido de reitegração de posse.

De acordo com o ruralista Darci Decian, a ação na justiça foi necessária porque até o momento nenhum órgão representante dos indígenas se manifestou acerca do assunto ou procurou os fazendeiros para negociar.

Desde o último dia 29, dezenas de índios ocuparam área de 26 hectares às margens do Anel Viário, nas imediações do residencial Monte Carlo e aos fundos da Aldeia Bororó em Dourados. Barracos de lona estão sendo montados aos poucos e a expectativa da comunidade é de reunir 120 famílias nos próximos dias.

De acordo com a coordenadora da Fundação Nacional do Índio, Maria Aparecida Mendes de Oliveira, em 1920 o governo Federal declarou uma área de 3.6 mil hectares para os indígenas, mas eles estariam ocupando apenas 3.5 mil hectares; área que foi demarcada. Por causa disso, um estudo será realizado para identificar os 100 hectares supostamente remanescentes. Os trabalhos vão se concentrar na localização de marcos e placas no interior da Reserva, que limitavam a área destinada aos nativos.

O grupo justifica a ocupação alegando que as terras são indígenas, já que os antepassados guaranis teriam residido no local. Eles citam o indígena guaraní Sapriano Gonçalves, avô de uma das lideranças. “Ele era dono destas terras. Arrendou para um branco plantar, que por sua vez vendeu as terras, sem que fossem dele”, explica.

“Saberes tradicionais e formação acadêmica”

“Saberes tradicionais e formação acadêmica” é o tema do IV Seminário Povos Indígenas e Sustentabilidade, que será realizado nos dias 15, 16, 17 e 18 de agosto na Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). Realizado pelo Projeto Rede de Saberes, neste ano o seminário aceitará trabalhos em texto, banner e vídeo. A abertura será às 19h com apresentação cultural e mesa redonda “Acadêmicos indígenas no Brasil: avanços e perspectivas”. Durante o dia 15, o Rede de Saberes realizará também o V Encontro de Acadêmicos Indígenas de Mato Grosso do Sul, com o tema “O indígena no ensino superior: formação, apoio e profissionalização”.

As inscrições para o seminário podem ser feitas à partir do dia 15 de junho até 5 de agosto, já os resumos devem ser enviados até o dia 30 de junho para o e-mail 4sustentabilidade@gmail.com. Até o dia 10 de julho estará no site do Projeto Rede de Saberes a publicação da avaliação dos resumos, então os autores poderão enviar o trabalho completo até 1º de agosto. Os valores das inscrições e outras informações estão no site www.neppi.org/eventos/4sustentabilidade.

Os seis Simpósios Temáticos enfocam os saberes tradicionais e formação acadêmica no âmbito das Ciências da Terra, Ciências da Saúde, Educação Básica, Educação Superior, Tecnologias da Informação e Comunicação e Gestão Territorial e Sustentabilidade. Além de buscar contribuir para a formação de profissionais indígenas que melhor atendam as demandas de suas comunidades o seminário possibilitará aos acadêmicos do Rede de Saberes trocar experiências sobre suas trajetórias nas universidades com pesquisadores, acadêmicos e profissionais indígenas e não-indígenas de outras regiões.

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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Policia Federal monta Operação e entra na Reserva Indígena de Dourados

A Polícia Federal de Brasília está com tudo pronto para iniciar Operação na Reserva de Dourados. O objetivo é eliminar o tráfico de drogas através da prisão dos criminosos que se instalaram nas aldeias. São 120 dias de Operação em Mato Grosso do Sul. Depois de Dourados a operação seguirá para outras reservas no Estado.

Recentemente o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Marcio Meira, falou sobre segurança. Disse que ainda este ano será instalada na reserva de Dourados um policiamento efetivo com agentes da Polícia Federal e Funai.

Segundo informações apuradas pelo O PROGRESSO e o site Douradosagora, as aldeias estariam sem o policiamento permanente há mais de dois anos. Isto porque a Operação Sucuri, ligada à Funai, que realizava os trabalhos, foi desativada. “Estes profissionais não têm formação policial, o que os impede de realizar uma segurança mais eficaz.

A permanência dos agentes na reserva não estava resolvendo o problema da violência”, lembrou. Conforme relatório do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o índice de mortes de indígenas vem aumentando substancialmente no decorrer dos anos, sendo certo que, entre 2003 (13 vítimas) e 2007 (53 vítimas), houve um aumento de mais de 300% no número de vítimas fatais nas aldeias de Mato Grosso do Sul, grande parte em Dourados, onde há maior concentração indígena do Estado.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Mulheres indígenas exigem respeito pelos seus direitos

Existe um grande desconhecimento da nossa realidade por parte das autoridades; por isso, pedimos-lhes que visitem as nossas comunidades, conversem connosco, com os nossos líderes e conheçam directamente os problemas económicos, de saúde e de educação que enfrentamos no dia-a-dia», afirma Andreas Campos, líder indígena da Amazónia. Andreas foi uma das centenas de indígenas que participaram numa audiência pública sobre a situação das mulheres e as mudanças a implementar, na capital peruana.
Os dirigentes nativos apontam para a falta de educação como um grave problema da Amazónia peruana. A taxa de analfabetismo entre as mulheres nativas situa-se entre os 38 e os 76,3 por cento. «Nós sempre fomos excluídas e discriminadas; temos direito a uma atenção intercultural bilingue», denuncia Maritza Rodríguez, do sudeste de Junín. «Os professores, na sua maioria, apenas falam castelhano», lamenta. As mulheres indígenas pedem uma educação intercultural bilingue que acabe com o racismo e a exclusão no Peru.
A saúde é outro sector problemático: apenas metade das comunidades contam com o apoio de um estabelecimento de saúde. A esperança média de vida é bastante inferior à média nacional; metade das mortes ocorrem antes dos 42 anos, 20 anos de diferença em relação ao resto da população. Também neste sector se verifica a necessidade de serviços multilingue. «É necessária a presença de tradutores nos hospitais para atender adequadamente a população indígena que não fala espanhol.


Fonte: http://www.fatimamissionaria.pt/artigo.php?cod=19462&sec=8

Funai vai identificar terra indígena em Dourados


A Fundação Nacional do Índio (Funai) de Brasília inicia nos próximos meses estudos para identificação de terras indígenas demarcadas em Dourados. Os trabalhos vão se concentrar na localização de marcos e placas no interior da Reserva, que limitavam a área da União de 3,6 mil hectares.

De acordo com informações do antropólogo da Funai de Dourados, Diógenes Cariaga,algumas dessas placas desapareceram com o tempo e através de resgate desses pontos será possível identificar se a área ocupada pertence ou não aos indígenas.

Posteriormente ao resultado do levantamento dos pontos, a Funai em Dourados pretende solicitar a presidência em Brasília para que se necessário realize uma perícia para diagnosticar a área. Os trabalhos de identificação dos marcos devem acontecer em dois meses.

Os indígenas das etnias Caiuás e Guaranis das aldeias Bororó e Jaguapiru deram início a ocupação de uma área de 26 hectares às margens do anel viário, nas imediações do residencial Monte Carlo e aos fundos da Aldeia Bororó em Dourados.

Desde o último dia 29, dezenas deles se mudaram para o local. Barracos de lona estão sendo montados aos poucos e a expectativa da comunidade é de reunir 120 famílias nos próximos dias.

De acordo com o cacique guarani Shatalim Graito Benites, o grupo está pleiteando uma área total de 6 mil hectares. Algumas destas estão nas imediações de onde instalaram os barracos.

O grupo justifica a ocupação alegando que as terras são indígenas, já que os antepassados guaranis teriam residido no local. Eles citam o indígena guaraní Sapriano Gonçalves, avô de uma das lideranças. “Ele era dono destas terras. Arrendou para um branco plantar, que por sua vez vendeu as terras, sem que fossem dele”, explica.




Fonte: douradosagora

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Ruralistas pedem apoio contra invasões em Douradina

Produtores rurais de Douradina estão preocupados com a possibilidade de novas ocupações indígenas. Ontem (1º), um grupo de ruralistas esteve na sede da PF (Polícia Federal), em Dourados, para pedir apoio ao órgão na tentativa de impedir novas invasões. No sábado passado, os indígenas ocuparam um dos seis lotes provenientes da antiga colônia agrícola no município.

O local fica bem próximo de uma área de 100 hectares, ocupada pelos índios em 2005 e, posteriormente, em novembro do ano passado. “Na época foi feito um acordo para que os índios desocupassem as terras, porém, desde novembro começaram novas invasões”, relatou Cícero Bastos, um dos produtores que teve o lote invadido no sábado.

De acordo com o presidente do sindicato rural de Douradina, Cláudio Pradella, os agricultores prometem se mobilizar contra novas invasões no município. “O primeiro passo é de informar ao delegado da Polícia Federal sobre a situação em que se encontram estes produtores, diante a ação dos indígenas no local. Após isso, se não houver acordo vamos entrar com pedido de reintegração de posse, sendo que até o momento não existe a intenção de confronto com os índios”, afirmou.

Para o produtor rural, Valdir Pedro Piesanti, as ocupações prejudicam a economia do Mato Grosso do Sul, além de trazer prejuízos para os agricultores que tem as terras invadidas. “A imagem econômica do Estado fica desgastada com este impasse entre produtores e índios. Quem vai investir em lugar onde existe instabilidade produtiva?”, questionou.

Ele ainda acusou a Funai (Fundação Nacional do Índio) de incentivar novas ocupações no município. “Pelo que consta a própria Funai é um dos principais incentivadores dessas invasões. A sociedade precisa entender a gravidade da situação, cobramos soluções”, enfatizou.

Funai

Segundo a coordenadora regional da Funai, Maria Aparecida Mendes de Oliveira, as áreas ocupadas em Douradina fazem parte de estudos para demarcações no Estado. Ela afirma que na década de 1970 estas terras foram consideradas terras indígenas, porém, não foram homologadas oficialmente.

Quanto à afirmação dos produtores de que a Funai estaria incentivando novas ocupações, a coordenadora afirmou que foi surpreendida pela ocupação ocorrida no sábado passado e que o órgão não tem controle sobre as ações dos índios. “A Funai está acompanhando de perto toda esta questão agrária que envolve produtores rurais e indígenas, porém, não compete a nós, impedir ou incentivar ocupações”, disse.

Ela afirmou ainda que na terça-feira passada técnicos da Funai já foram até a cidade de Douradina para avaliar a real situação do local e que as medidas cabíveis ao órgão serão tomadas somente após o recebimento do relatório encaminhado pelos antropólogos.