terça-feira, 23 de outubro de 2007

Ore Reko


GAPK e IWGIA juntamente com a AJI apresentam um documentário feito na reserva indigena de Dourados-MS , uma produção do diretor Alejandro Ferrari , este documentário trata um pouco da realidade dos jovens na aldeia como:a falta de emprego , a falta de segurança dentro da aldeia e outros .
Este video é só um pouco do que se passa com os jovens na aldeia , é uma forma de mostrar para o mundo a nossa realidade , ele será apresentado no II SEMINARIO LATINO AMERICANO DE COMUNICADORES INDIGENAS INDIGENAS no México , organizado pela IWGIA , UNAM e SERVINDI nos dias 29 a 31 de outubro .
Este documentário levou dois meses para ficar pronto , ele tem 45 minutos , o nome é ORE REKO que e na lingua guarani e significa NOSSA VIDA e na lingua terena KICHO CUTI VITUQ VEOVO .
Quem trabalhou neste documentário juntamente com o Alejandro foram os própios jovens .
I sso foi uma grande experiência para nós .


CUNHA ANHANDUÁ
17 ANOS

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Escola

Quando eu estudava na escola da aldeia era muito legal divertido, porque tinha bastante colegas e os professores eram legais.
Eu estudei em 3 escolas e todos foram boas.
Quando eu era criança a parte mais divertida era caminho de ida para a escola,porque encontrava meus amigos e brincava bastante e depois iamos para sala estudar.
Na escola da cidade foi tudo bem, tive vários amigos brancos e os professores ensinavam igual para todos




Diana
Terena

terça-feira, 9 de outubro de 2007

O desemprego

Hoje a maioria dos trabalhadores da aldeia são trabalhadores rurais que trabalham nas usinas , mas esse emprego está sendo substituído. A partir do ano que vem as máquinas vão estar substituindo esses trabalhadores, com certeza eles que necessitam desse serviço para manter a sua casa, vão enfrentar grandes dificuldades .
Hoje em dia nada melhor que estudar para arrumar um bom emprego, a maioria das pessoas que vão para a usina não tem ao menos o ensino fundamental completo, essa situação é preocupante, pois o crescente desenvolvimento tecnológico e a industrialização, geram uma produção muito grande, diminuindo a necessidade das grandes massas de trabalhadores.
Hoje vivemos em um mundo que se desenvolve constantemente e o desemprego está cada vez maior, a falta de trabalho hoje é um dos maiores desafios dos governos do mundo inteiro!!!!!!
E como vão ficar os trabalhadores rurais?????????????????


CUNHA ANHANDUÁ
17 ANOS

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Sistema penal dos indígenas

A AJI, realizou uma discussão sobre a questão do sistema penal dos indígenas. A idéia era questionar duas partes, onde uma defendia que os indígenas teriam que se submeter o mesmo processo penal do que os não indígenas, ou seja cumprir a mesma pena.A outra parte defendia que o indígena teria que ter uma pena diferenciada.
Bom todo o desenrolar da questão começou com a encenação de uma pequena peça, onde simulavam um homicídio envolvendo roubo. Depois desta encenação fizemos um pequeno júriziho para simular o crime, neste júri foi colocado as duas questões já citadas a cima.
A questão da gravidade dos crimes foram colocadas, os motivos, a impunidade,o aumento da violência entre outros fatores para incrementar ainda mais a discussão. Foi colocado que se por um lado o indígena cumpre a pena como o não índio, ele perde em outras partes, por seus direitos não
serem de fatos cumpridos, sendo que só na hora de pagar pelos seus erros ele é submetido a mesma pena do não índio. E por outro lado se um indígena comete um crime, por qualquer motivo, nem que por motivos banais, ele teria que pagar com a mesma pena que o não índio paga, pois sem este comprimento
ele estaria cometendo uma desigualdade, uma indiferença, questões que sempre debatemos e lutamos para conseguir, sermos tratados iguais, sem indiferença. Uma questão que aumentará e muito ao meu ver se o indígena não cumprir a pena como se deve, é que a impunidade irá correr solta, e a violência aumentará de uma forma assombrosa, pois ele não vai ficar preso mesmo, e voltará a cometer atos criminosos, pois ele sabe que não vai ficar preso. E depois nada justifica um homicídio, quem comete tem que pagar, seja ele negro, branco ou índio.



Cunha Poty Rory - 21 anos - guarani

terça-feira, 25 de setembro de 2007

A convivência entre a cidade e a aldeia

Hoje a aldeia está muito próxima da cidade , onde facilita muito o contato dos Indígena com os brancos , e muitas vezes os indígenas tem acesso a muitas coisas brancas como :festas e outras coisas , onde acabam se envolvendo cada vez mais e esquecem de voltar , esquecem de sua cultura , hoje não somos nada sem a nossa cultura .
Infelizmente não temos controle em situações como esta , afinal cada pessoa cuida de sua vida , hoje a maioria das pessoas não falam a língua materna , por que já vieram de uma geração onde os seus pais não falavam mais a língua ou os próprios indígenas casam com os brancos, facilitando para que seus filhos não falem mais a língua. Hoje as escolas da aldeia oferecem o ensino bilingue , mas isso ajuda muito pouco , hoje as crianças quando vêem seus colegas falando a língua eles o zombam, isso acontece muito nas escolas , a lingua materna está cada vez mais extinta

Cunha anhanduá
17 anos

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Que caminho seguir??????

Hoje muitos jovens que etão se formando na educação básica, no 3º ano do ensino médio, têm muitas dúvidas acerca do caminho a ser seguido.
Hoje apena uma Universidade em Dourados oferece cotas para Indios , mas não temos uma orientação sobre cursos de graduação que possamos fazer. Mas mesmo asim muitas pessoas já se graduaram , mas ainda há muitas pessoas que ainda nem prestaran o vestibular , porque estão com dúvidas, porque não adianta fazermos um curso que não temos interesse nbem campo de atuação, hoje na aldeia há apenas uma escola que há ensino médio completo, mas um ensino médio diferenciado, e a escola está em condições muito precárias, onde hoje os alunos estudam na quadra de esporte, e o barulho é enorme e atrapalha muito os alunos que estão estudando, os alunos que estudam no útimo ano estão sendo muito prejudicados por isso, e ainda este ano muitos irão prestar o vestibular, será que vão se sair bem???
Também há o EJA mas é noturno, onde estudam as pessoas mais adultas, e ocupam a mesma salas de aulas na quadra. Mas não desistimos, estamos indo em frente...
Mas e os alunos que ainda estão apenas começando?????????
O Governo deveria olhar com mais carinho para a educação índigena .

Jaqueline, Kaiowá
17 anos

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

falta de informação

A gravidez e a violência sexual esta cada vez mais freqüente em nossa aldeia, os motivos são vários , conflitos familiares, falta de conhecimento, drogas e bebidas alcoólicas.

Cada vez mais surgem meninas de dez e doze anos grávidas e o risco de DST aumenta gradativamente, sem falar que deixam a escola e saem de casa.

Infelizmente na aldeia,a informação sobre esse assunto não chega a todos que necessitam, muitas vezes por causa do bloqueio cultural que algumas liderânças insistem em impor, acham que a comunidade não precisa e que estão imune a doenças e tudo mais, o que é um absurdo.Outras vezes, quando chega alguma ajuda para informar e alertar a comunidade, principalmente as jovens e adolescentes dos problemas que existem, muitas famílias e algumas pessoas dizem que estão contribuindo para a prática do sexo, e não deixam seus filhos assistirem,as vezes os palestrantes são até rechaçados.
Bom com tudo isto quem perde é a comunidade, que se prejudica ainda mais, por não deixar estas informações chegarem, e enquanto isto o numero de grávidez precoce e DSTS aumentam.

Cunha Poty Rory 20 anos-guarani

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Nossa pátria

No dia sete de setembro , os joves da AJI desfilaram na avenida Marcelino Pires em Dourados , nós reinvindicamos um Brasil mais justo para os indígenas e uma aldeia sem violência , pois a cada dia que passa a violência cresce na aldeia , há poucos dias atrás perdemos um jovem , ele se suicuidou e isso não é nada bom para nós .
A imprensa só nos rebaixa , pois eles dizem que a maioria dos indígenas morrem por conta da bebida alcoólica , isso é o que a mídia diz , mas não é apenas esse o motivo das mortes ocorridas na aldeia , pois quando acontece coisas graves eles procuram logo as lideranças , os capitões e ainda colocam na imprensa o que eles falam. A imprensa não procura ouvir os jovens e nem mesmo as lideranças ou o capitão , hoje ten uma certa discriminação dentro da aldeia pois nós jovens não temos VOZ na sociedade , e como será o futuro se nós não temos VOZ ativa??????????????????
É por isso que nós jovens lutamos para ter uma voz tanto dentro da aldeia quanto fora dela , estamos lutando por uma vida melhor e um futuro melhor!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

jovem índigena
17 anos

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Ilusão

Liberdade é uma palavra de vários sentidos porque ela significa o poder fazer de tudo, mas não é bem assim o caso.
Alguns dos significados estão ligados com quando se completa 18 anos, você já pode ser independente ,mas para isso tem que ter um bom estudo, um emprego, casa e etc. Não se pode ter a liberdade de comer tudo o que quer porque se não tem dinheiro, não pode comprá-la.
Não pode viajar para outros países se não tem visto e dinheiro,assim não se consegue nem sair da própria casa.
A liberdade é uma palavra de ilusão que todos querem, mas são poucos que a possuem. Porque liberdade é dinheiro, quem tem, tem tudo.




Diana davilã
Terena

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

O que é ser jovem na Aldeia de Dourados

Hoje vivemos em uma aldeia de aproximadamente 15 mil índios. A aldeia de Dourados( Francisco Horta Barbosa) tem muitos problemas sérios , e para os jovens é mais difícil ainda , pois nós crescemos e vivenciamos tudo que acontece na aldeia. Hoje convivemos com três subgrupos lingüísticos :kaiowá , Ñandeva e Terena.
Mas é dificil conviver com tanta violência , com tanto homicídio acontecendo ao mesmo tempo , muitos jovens se suicidando , pois é duro para nós vermos um colega , um amigo , se suicidando por consequência de problemas familiares. Também a falta de oportunidade tem sido muito grande , o desemprego , o preconceito que enfrentamos . Isso infelizmente é a dura realidade , muitas vezes só por nós termos uma identidade indígena somos impedidos de entrar no mercado de trabalho , de fazer conta nas lojas , ou seja, a nossa identidade só vale no local onde vivemos .
A AJI(ação dos jovens indígenas de Dourados) é um exemplo para os jovens , pois nós jovens enfrentamos a realidade de cabeça erguida , e na AJI sempre temos as nossas conversas, tendo as diversas etnias como uma familia só. Somos jovens mas com a cabeça madura, prontos a enfrentarmos qualquer desafio , através da AJI nós já realizamos muitas coisas.
Eu aprendi que não devemos desistir, temos que lutar pelo que nós queremos , pois se não lutarmos ninguém vai lutar por nós, pois a nossa aldeia está praticamente largada .

Já estamos fartos de escutar o povo falando de nós , a maioria nos conhece através da mídia , já estamos cansado de só as lideranças falarem por nós , pois eles falam o que eles acham e nós temos que falar também, pois somos nós que estamos vivenciando tudo isso .
Vamos virar a página e recomeçar tudo de novo , vamos tentar quantas vezes for possível!!!!!!!!!

JAQUELINE GONÇALVES
17 ANOS
KAIOWÁ

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Produção do filme ORE REKO


Nos últimos dias estivemos realizando uma nova forma de fazer filme, pela primeira vez a AJI começou a trabalhar com a ficção, ainda não terminamos, mas está ficando muito bacana.
Sempre trabalhamos com o documentário, mas decidimos fazer diferente, o cineasta uruguaiano Alejandro Ferrari trouxe esta idéia de cinema mais próximo da gente.
O roteiro do filme fomos nós mesmos que produzimos, e se trata do que é ser jovenm na aldeia de Dourados, de início pensamos em um documéntario, pois ele além de contar como é realmente, retrata de uma forma mais abrangente a questão, mas notamos que o documéntário iria ficar muito longo, monótono, queríamos sair da mesmice. Então optamos pela ficção, além de ser uma forma diferente a ser trabalhada pela gente, conta a realidade com mais vontade de assistir, pois são os próprios jovens indígenas que atuam no filme, e como o filme não conta todas as questões dos jovens, decidimos fazer um BACKSTAGE do filme, onde colhemos depoimentos, ensaios e gafes.
Pensamos em todo o corpo da equipe desde o diretor até o claquete, pensamos em como encaixaríamos todo o pessoal nas posições, uns queriam fazer tudo ao mesmo tempo, mas acabou que no final até os atores fizeram o som e câmera, foi uma loucura, mas esta ficando muito legal.O mais bacana é a convivência que adquirimos com esta experiência, o espírito de grupo.
Aprendemos tudo de uma forma divertida e gostosa de se fazer, pois havia interesse de cada um que participou das gravações.
O filme irá se chamar " ORE REKO", que em português significa NOSSA VIDA, além de estar na língua guarani-kaiowá, também será na língua terena. O filme será de vidas opostas, ou seja dois lados que existem na aldeia, o das drogas, da marginalidade e o lado do trabalho e da dignidade.
Show de bola vai ficar este filme!!!!!!!!



Graciela Pereira de Souza 21 anos Guarani

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

UMA HOMENAGEM A VOCÊ AMIGO

QUERIDO AMIGO VOCÊ SEMPRE VAI MORAR NO NOSSO CORAÇÃO, SEMPRE VAMOS LEMBRAR DE VOCÊ COM MUITO CARINHO, O SEU SORRISO MARCOU MUITO , A GENTE CURTIU MUITO QUANDO SE ENCONTRAVA , VOCÊ SENPRE COM UM SORRISO NO ROSTO , UM AMIGO TÃO LEGAL , DIVETIDO, NUNCA VAMOS ESQUECER OS SABADOS QUE PASSAMOS TODOS JUNTO SE DIVERTINDO NA AJI, OS TEMPOS QUE PASSAMOS JUNTOS SÃO INESQUECIVEIS..... ADORAMOS VOCÊ..............
...........MAS QUE PENA QUE VOCê PARTIU, UM MENINO TÃO NOVO UMA VIDA INTEIRA PELA FRENTE , TUDO ESTAVA TÃO BEM , A VIDA ESTAVA TÃO BELA........E VOCÊ MAIS UMA VITIMA DO SUICIDIO....
ESPERO QUE VOCÊ ENCONTRE A SUA PAZ.

DALTON
16 ANOS
KAIOWÁ

HOMENAGEM DE DUAS PESSOAS QUE TE ADORAM MUITO

TATI-14 ANOS - KAIOWA E
JAQUELINE - 17 ANOS - KAIOWA