sexta-feira, 30 de abril de 2010

AJIndo edição 20°









O AJIndo edição 20° está em suas utimas edições finais.
Veja ao lado como fica a capa do jornal da AJI.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Vídeo Índio Brasil 2010

Vídeo Índio Brasil 2010
Abertas as inscrições para produção audiovisual
No período de 10 de abril a 31 de maio de 2010 estarão abertas as inscrições para produções audiovisuais que tenham interesse em participar da terceira edição do Vídeo Índio Brasil que acontecerá entre os dias de 31 de julho a 07 de agosto de 2010, na cidade sede, Campo Grande - MS, e em mais 100 municípios.
Por meio do audiovisual, o Vídeo Índio Brasil busca fortalecer e difundir a cultura indígena no Mato Grosso do Sul e no Brasil. Desde 2008, em sua primeira edição, o projeto expande sua proposta de exibição e debate ampliando as cidades participantes. Nesse ano será realizado em cem diferentes municípios simultaneamente. Além da exibição de filmes e vídeos a programação apresenta exposição fotográfica, oficina de produção audiovisual, seminários e debates com lideranças indígenas, representantes governamentais e não-governamentais, especialistas, artistas, acadêmicos, comunicadores, empresários, trabalhadores e a sociedade em geral.
Não há restrições quanto aos espaços de realização. As exibições podem ocorrer em cinemas, auditórios, teatros, pontos de cultura, casas brasil, estações digitais, cineclubes, espaços culturais e de ensino. Podem participar organizações não-governamentais, instituições públicas e privadas, entre outros.
A ficha de inscrição e o regulamento para produções audiovisuais e cidades, além de mais informações referentes às últimas edições do Vídeo Índio Brasil podem ser obtidas no site www.videoindiobrasil.org.br.
Informações para imprensa com Luana Salomão pelo endereço eletrônico contato@videoindiobrasil.org.br
Fonte: Assessoria de Produção e Comunicação - Vídeo Índio Brasil 2010


terça-feira, 27 de abril de 2010

Revista digital Tekoha


O Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul disponibilizou na internet a revista Tekoha - publicação especial do Dia do Índio. Nela, o MPF/MS aborda os problemas que envolvem a questão indígena no estado e apresenta o trabalho da instituição na área.

A publicação traz também depoimentos dos filhos de Marcos Veron, cacique guarani-kaiowá assassinado em 2003, e declarações de lideranças indígenas sobre o caso. O contraponto positivo é a organização não-governamental Ação de Jovens Indígenas, de Dourados, que concorreu ao prêmio de "Melhor Webblog do Mundo" - uma injeção de autoestima nas comunidades indígenas do estado. Outro destaque é o artigo do líder Marcos Terena, representante da Organização das Nações Unidas na área indígena.

Clique aqui para ler a publicação.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Dia especial a nós indígena

No dia do índio a AJI esteve acompanhando os eventos dentro da aldeia, através de fotografia e filmagens,

o resultado disso será um vídeo que ainda não tem data para sair, as apresentações estavam muito lindas.Na escola Araporã foi muito boa as apresentações de alunos.

Parabéns a nós e a todos!

Veja a galeria de fotos da semana

do índio e do dia do índio!


Confira ainda algumas noticias da AJI:

Uma entrevista da jovem Jaqueline Gonçalves, e da antropóloga Maria de Lourdes Beldi de Alcântara a coordenadora da AJI – Ação de jovens indígenas de Dourados.

Veja em:


http://www.prr3.mpf.gov.br/imagens/boletim_info/2010/boletim_entrejaqueline.htm

http://www.prr3.mpf.gov.br/imagens/boletim_info/2010/boletim_entreMaria.htm

Jaqueline Gonçalves

Guarani-Kaiowá


Semana do índio, e
scolas da aldeia em apresentação!


19 de Abril, dia do índio, apresentações nas aldeias Bororó e Jaguapiru






quinta-feira, 15 de abril de 2010

Se conhecendo

As oficinas realizadas no CRAS na aldeia Bororó, estão sendo bem legais e produtivas, um dos objetivos da oficina é o aluno se conhecer, quem é, de onde veio, quem são seus pais, de onde vieram, é um ponto de partida bem interessante.
Atualmente estão sendo realizadas filmagens com os alunos, eles adoram, ficam super a vontades.
A oficina que acontece as terças e quinta-feiras no CRAS.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Violência a noite

A violência amenizou na aldeia, os jovens que saiam de noite, faziam bagunça nas estradas, estão mais calmos, agora esta tudo calmo na aldeia, há muitos seguranças na aldeia nos dias de hoje, mas são muito violentos. Batem com violência quando encontram pessoa nas estradas, ou perto de suas casas, ou na própria casa, eles batem mesmo sem piedade alguma pela pessoa, e machuca, por isso quase ninguém não sai de noite, as vezes o próprio segurança causa violência na estrada.

Quando não havia segurança era muito mais perigoso as estrada, até de dia, a noite era pior, pessoas gritando por todos os lados, ou alguém já vinha a óbito, havia muito assalto aos velhos.

A maioria dos jovens praticavam isso, era muito triste a aldeia, pelo menos parou né.

Agora mesmo teve uma pessoa que foi espancado pelos seguranças.

A maioria das pessoa estão dizendo que os segurança estão machucando os inocentes, se enganam com a pessoa que não te nada a ver. E enquanto isso quem faz bagunça nas estradas estão fazendo briga em outro lugar.

Pelo menos os jovens acalmaram muito na aldeia, do outro lado quando pesa é bom para que as pessoa não saiam bagunçar de noite, agora está melhor a aldeia. Os segurança estão colocando uma punição, eles são muito bravos, se encontrar alguém na estrada brigando, no outro dia manda trabalhar o dia inteiro a. É isto que acontece nas noites na aldeia, e também em relação aos seguranças.

ROSIVÂNIA ESPINDOLA - 17 ANOS

GUARANI NHANDEVA



segunda-feira, 5 de abril de 2010

Indígena leva golpe de facão durante assalto em aldeia de Dourados

A indígena Marilene da Silva, 30 anos, residente na Aldeia Jaguapiru, foi assaltada quando retornava para casa, ontem por volta das 20h. Ela trafegava numa bicicleta por uma estrada vicinal na Reserva indígena de Dourados, quando foi cercada por três jovens.

Eles ameaçaram Marlene, que foi atingida na perna por um golpe de facão. Marilene foi socorrida por lideranças indígenas e encaminhada para o hospital. O grupo deteve um dos rapazes, um adolescente de 16 anos.

Ele foi apreendido em flagrante e encaminhado, pelo delegado João Alves de Queiróz, para a Unidade Educacional de Internação (Unei) de Dourados.

Midia Max

Índios guaranis vivem situação de extermínio silencioso


Um recente relatório da organização indigenista Survivor International (ver aqui) trouxe novamente à luz a deplorável situação humanitária vivida pelos índios Guarani Kaiowá no estado do Mato Grosso do Sul. Como se sabe, há milhares de indígenas vivendo em condições absolutamente degradantes enquanto esperam, à beira de estradas, pela demarcação de seus territórios, como ordena nossa Constituição.

Com um vasto território, não é por falta de espaço que não se concedem as terras devidas à maior etnia indígena remanescente no país. Ninguém no governo federal ousa enfrentar os interesses do agronegócio no estado comandado pelo governador do PMDB André Puccinelli, enquanto que a mídia mostra mais uma vez sua total insensibilidade, obviamente calada pelos mesmos interesses supracitados.

Qual a situação real dos índios Guarani Kaiowá em todo o estado do Mato Grosso do Sul? Em que condições psicológicas os indígenas se encontram, com suas alarmantes taxas de suicídio, que envolvem até crianças?

Marta Azevedo: A situação dos guaranis no Mato Grosso do Sul é muito complicada, pois há muitos anos eles vêm lutando para demarcar novas áreas, conseguindo muito menos que o necessário para sua sobrevivência.

O MS é um estado bastante agrário, com muitas fazendas, o agronegócio; portanto, são interesses muito fortes, os quais os índios e a FUNAI não têm enfrentado a contento para melhorar a qualidade de vida na região.

Eles, de fato, têm registrado altas taxas de suicídio, saída praticada por conta da falta de perspectiva de vida dos últimos 15, 20 anos. Ninguém sabe ao certo, de forma muito detalhada, como andam essas taxas de suicídio. A Funasa (Fundação Nacional de Saúde) diz que elas estariam baixando, mas eu não teria essa certeza. Precisaríamos checar com os dados do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), que é quem acompanha há muitos anos tais estatísticas e é a fonte mais confiável.

Outra coisa que acontece ultimamente, e que nos alarma mais ainda, é uma grave subnutrição entre as crianças, que têm extrema dependência de cestas básicas da Funasa. E a taxa de mortalidade infantil também está alta.

Enfim, é toda uma situação realmente muito ruim, inclusive para o país. Mas o que nos assusta é a enorme violência que vem sendo praticada contra as comunidades que lutam pelas suas áreas tradicionais na forma de assassinatos e esquartejamentos. Após as mortes, os corpos são encontrados dentro de sacos de lixo, em geral em fundos de rio ou locais de difícil acesso – isso quando são encontrados.

E foi um assassinato ocorrido dessa maneira na Argentina que mais me alarmou, na região de Misiones, fronteira com Paraguai e Brasil. Existe um grupo de guaranis na região que foram expulsos do Paraguai. Isso porque o agronegócio brasileiro chega ao Paraguai, onde já há muitos fazendeiros brasileiros em certas partes do país. Inclusive, há casos em que borrifaram veneno nos índios e nas aldeias, como ocorreu no segundo semestre do ano passado, deixando vários deles enfermos. Apesar de não sair na grande mídia daqui, foi bem falado por lá.

Ou seja, o agronegócio chega ao Paraguai, expulsa os guaranis, que vão ao norte da Argentina. Dessa forma, na região de Misiones, há um boom de assentamentos deles, onde houve uma criança assassinada recentemente.

CC: Qual é, mais exatamente, a rotina costumeira desses indígenas? Que tratamento eles recebem das autoridades, mídia e demais populações locais?

MA: Existem três situações muito diferentes. Os Guaranis são o povo indígena mais populoso, em seus três diferentes grupos (Kaiowá, Nhandeva e Mbya), totalizando 50 mil pessoas.

No MS, estão os nhandeva e os kaiowá. As situações são diferentes no seguinte sentido: aqueles que estão nas reservas mais antigas, demarcadas no começo do século 20, ainda no tempo do Marechal Rondon, vivem uma situação complicadíssima, pois as reservas estão absolutamente superlotadas. Há reservas de 2000 hectares com população de 5000 pessoas, uma densidade demográfica de cidade grande praticamente. Assim, eles não têm lugar pra roça e precisam sair da reserva para trabalhar nas usinas próximas, onde conseguem emprego, para depois voltar às reservas, que acabam sendo reservas-dormitório. Isso ainda faz com que as mulheres fiquem sozinhas.

Por outro lado, eles ao menos têm o atendimento da Funasa, na maior parte das vezes escola, enfim, uma atenção maior, embora a situação seja muito ruim em termos de acesso à terra.

Há outra situação, que, a meu ver, é a melhor no estado: é a daqueles localizados em terras indígenas demarcadas na década de 80, que são oito áreas ‘novas’, como chamamos. São 8 terras e possuem tamanho mais adequado à população tradicional desses locais. Eles têm atendimento da Funasa, da FUNAI e uma maior extensão de terra, onde ainda é possível fazer agricultura, um pouco de colheita e caça. É uma situação um pouco melhor.

Mas a pior situação se refere a 22 assentamentos, em beira de estrada, exatamente como os do MST. Só que com o agravante do enorme preconceito existente no MS em relação aos guaranis, que são chamados de bugres. E desses 22 assentamentos, a maior parte está embaixo de lona preta; outros em reservas mais antigas, sem acesso à água, submetidos a toda a violência dos fazendeiros, que se sentem já invadidos de verem-nos às portas da propriedade. Os que ficam em tais condições não têm acesso à saúde, pois às vezes a Funasa não consegue atendê-los ou não pode. Tampouco têm acesso à escola. Dessa forma, as crianças vão às escolas das cidades mais próximas, onde sofrem um preconceito horroroso; não têm como lavar roupa, não têm comida… Esses são os que realmente sofrem a violência que mencionei. Estive lá em um acampamento deles e, logo depois que voltei, a liderança que conheci foi assassinada. E nada sai na mídia.

Por parte do governo, a FUNAI estruturou alguns grupos de trabalho (GT), a fim de propor novas áreas. Dessa forma, temos alguma esperança com esses novos GTs que foram para lá. No entanto, os GTs também sofrem muita violência, ameaças, perseguição a carro. Mas estão trabalhando.

CC: O que se pode dizer do relatório da Survivor International recém-entregue à ONU, listando toda sorte de mazelas na vida dos guaranis? Como você acha que deveria ressoar em nossa sociedade?

MA: Acho que quanto mais pudermos veicular a situação dos Guaranis no Brasil todo e internacionalmente, melhor. O que vejo hoje em dia, pelo menos em São Paulo, é algo que se aproxima mais do lado folclórico, chamam crianças indígenas para acampar… Que bom, pois há uma certa valorização da questão indígena por parte da opinião pública, mas com enorme desconhecimento da situação deles no MS.

O Mato Grosso do Sul é o estado mais anti-indígena do Brasil. É completamente diferente do Mato Grosso, Amazonas, onde o preconceito diminuiu um pouco.

Precisamos fazer uma campanha naquele estado. O problema é que ninguém tem coragem de descer lá, já que está nas mãos do PMDB, há a questão das alianças de governo… E ninguém faz nada.

CC: Qual tem sido a atuação dos governos, nas três esferas, na resolução das demarcações de terra e demais direitos exigidos pelos indígenas?

MA: No que diz respeito à política de educação, no Brasil, ela é implementada pelos estados ou municípios. Portanto, de maneira geral, precisa de mais apoio à educação dos índios, que não são abarcados por nenhum dos entes. Existem cursos de formação de professores Guarani Kaiowá, numa boa iniciativa apoiada pela Universidade de Dourados.

Mas falta muita infra-estrutura nas escolas, tele-centros, enfim, investimentos e consciência do governo de que os povos indígenas em seus territórios são uma riqueza para o estado.

É a mesma coisa de Roraima, quando diziam: ‘há um problema, que são os índios’. Não é problema. Temos que, cada vez mais, trazer à cidadania brasileira a idéia de que essa população tem muito a nos ensinar. Temos o privilégio de conviver com essa população, sua sabedoria e modos de vida, podendo aprender com eles. Nunca podemos encarar a questão como um problema ou uma barreira cultural, como ouço muitas vezes de alguns serviços de saúde. Não é uma barreira. Eles têm cultura, línguas diferentes, uma riqueza imensa.

E nós temos de aprender essas línguas. Não há um não-indígena que fale guarani no Brasil. Isso é um absurdo. Temos 50 mil guaranis no Brasil e ninguém fala a língua deles, que são obrigados a falar português, a língua do dominador. Não ficamos bravos quando um americano vem aqui trabalhar e não sabe falar nossa língua? É a mesma coisa em relação aos indígenas. As pessoas que trabalham com saúde e educação indígena têm de aprender o mínimo das línguas e culturas indígenas, de modo que possam respeitá-las, pois aquilo que não conhecemos não respeitamos, mesmo sem querer.

Portanto, acho que os serviços de educação e saúde aos Guaranis Kaiowá, embora estejam melhorando com algumas boas iniciativas, ainda deixam muito a desejar. Muito mesmo. Há muita coisa que poderia ser feita e, por falta de vontade política, não é.

CC: Que interesses mais específicos impediriam a resolução mais rápida de tais impasses e também a inserção das comunidades indígenas no processo econômico regional, uma vez que a produção de suas terras também poderia se inserir na economia de mercado?

MA: Na verdade, nas reservas antigas, quase não há espaços para produzir. Nas áreas de roça, como no Alto do Solimões, os grandes provedores de alimentação da cidade são os indígenas, que provêm os mercados regionais com toda a produção de roça.

No MS, é muito urgente fazer, por parte do governo federal e estadual, mesas de concertação, discussão, de produção de consenso, que poderiam ser paritárias. Ninguém abre diálogo com os guaranis, que se reúnem apenas entre eles e vão entregar suas demandas ao governo. Depois, um ou outro funcionário vai conversar com eles. Mas não existe uma sistemática, como essas mesas, onde suas idéias possam ser expressadas em sua língua. É como se nós tivéssemos de expressar nossas demandas em francês.

Já avançaríamos muito com uma medida dessas. Poderia ao menos reduzir um pouco essa violência tão grande que há por lá. É necessária alguma mediação de conflitos, talvez com especialistas contratados. Creio que esse seria o caminho para os guaranis entrarem no mercado regional.

CC: Como tem sido a solidariedade a esse movimento? Além do engajamento dos guaranis da Bolívia, Paraguai e Argentina, há um movimento forte por parte de outros atores da sociedade civil, ou a luta dos índios é isolada?

MA: Lá no MS, se você for a Campo Grande ou qualquer cidade por ali, verá que estão isolados, exceto por algumas iniciativas de universidades. Não existem grupos de apoio, nas escolas não há material para que as crianças compreendam quem são esses seus vizinhos guaranis…

O que podemos fazer são matérias que saiam na mídia e expressem solidariedade, pois não há muitos caminhos. Os guaranis, por sua própria característica cultural, não possuem uma organização unificada, onde se possa falar com algum presidente. Não existe isso, justamente por serem guaranis. Se quisermos que eles formem alguma organização, estaremos desrespeitando a sua organização social e política.

É muito difícil conseguir exercer solidariedade. Assim, o que podemos fazer é veicular cada vez mais material em português e tentar influenciar mais escolas do estado a estudar um pouco mais sobre eles, para que as crianças não sejam simplesmente ensinadas a chamá-los de bugres e reproduzir preconceitos.

Temos de abrir cada vez mais o leque, aprender a língua, além de divulgar na internet e outras mídias, já que não há muitos tele-centros ou sites sobre o tema. No Amazonas, por exemplo, tem muito mais. É importante constituir alguma rede ao lado deles.

CC: O processo eleitoral que teremos neste ano traz esperanças, angústias, que sentimentos aos povos da região? Há alguma perspectiva de melhora na luta desses povos ou os dias que lhes esperam se mostram sombrios?

MA: Conversando com algumas mulheres Kaiowá de uma comunidade, perguntei a elas o que mais querem, o que lhes traria mais esperança. Sabe o que responderam? “Dar documentos aos nossos filhos”. Eles não têm carteira de identidade, e fora da cidade não são aceitos em nada. A coisa lá é tão complicada que… não sei.

Gostaria muito que os próximos governos federal e estadual mudassem essa situação. Mas gostaria muito mais que a questão indígena não fosse objeto de trabalho e reflexão por parte de um partido só, pois não se trata de uma questão partidária. Claro que os modelos e tratamentos da questão serão diferentes em cada partido. Quanto a isso, tudo bem.

Nesse sentido, acho que a questão indígena está mais bem incorporada no projeto de governo da Marina Silva atualmente. Gosto muito do PT e do governo do Lula, e espero que a Dilma consiga articular tal questão um pouco melhor no Mato Grosso do Sul, mas depende muito de quem for o governador.

Tenho muita esperança, mas o que gostaria de verdade é que esta não se tornasse uma questão partidária. E foi isso que aconteceu no Mato Grosso do Sul. Como lá o governo é do PMDB, o governo federal não se mete, não briga, porque não pode perder os aliados de lá. Isso é um absurdo! É uma população que sofre uma violência terrível em função de uma aliança partidária.

A questão indígena é humanitária, deveríamos ter uma visão um pouco mais larga a respeito do assunto.

Gabriel Brito, Correio da Cidadania

quinta-feira, 1 de abril de 2010

A realidade de Jovens indígenas de MS




Somos no mundo o resultado de uma combinação de uma infinidade de tradições e partes lingüísticos culturais. Essas culturas e imaginários como elementos de um projeto de emancipação, auto-determinação e liberdade de toda a humanidade. Porém no mês de Abril no dia 19 é dia do índio. Além de esse dia ter um grande significado para a população indígena, o que a sociedade branca e em geral, pensa em relação a isso.

Quanto aos jovens indígenas o que se tem feito, quais as opções voltadas para eles.

Quero aqui expressar como se encontra os jovens nos dias de hoje, a luta pelo dia-dia e a situação geral dos jovens da Reserva indígena de Dourados, afinal de contas temos um Brasil legal e um Brasil real.

Jovens indígenas Guarani e Aruak

A situação relacionada aos jovens da reserva indígena de Dourados merece uma atenção especial, dada a a falta de defesa dos fenômenos em que se encontram em situação de pobreza, o confinamento e a violência dentro e fora da aldeia, esses jovens se encontram em situação de risco.

Uma das dificuldades e a situação em que se encontram é em relação aos níveis baixos de educação. Hoje há um numero muito reduzido de jovens em universidades, grande partes dos jovens tem procurado tirar o seu sustento em usinas, o que os leva a deixar a escola muito cedo, e as jovens tem sido mãe, e acabam saindo da escola para dar atenção aos filhos, poucas delas acabam voltando para a escola.

Fora da reserva e muitas das vezes fora da escola jovens tem encontrado uma dificuldade como a falta de oportunidade no mercado de trabalho, a famosa discriminação, que impede muitos de conquistar o seu espaço em meio a meio a sociedade em geral.

Dentro de seus lares a situação também é critica, pois com a falta de recurso e outros fatos, sendo um deles a situação de violência, uma das causas que os leva a sair de casa, passando a fazer partes de gangues que se encontram nas estradas da aldeia.

Isso atualmente tem sido uma realidade onde os jovens hoje passam a casar mais tardes que seus pais, pois passam a formar uma geração que pelos adultos e pais é inaceitável, completamente rejeitada.

Dentro disso há um caminho direcionado em busca de um futuro melhor, incentiva os jovens a lutarem por suas vidas, incentiva os jovens a lutar pela sua aldeia, fazendo com que apareça, tenha o seu espaço e participem de um pouquinho de tudo.

Essa é a AJI – Ação de jovens indígenas de Dourados.

Somos muitos fortes e guerreiros, a ponto de colocar nossa cara a tapa e seguir lutando pelo nosso direitos e inclusão dentro da sociedade, hoje os jovens são reconhecidos, a sociedade não tem querer e sim aceitar, estamos ai, continuando nosso trabalho, hoje formados em audiovisual e muitos outros, temos uma ferramenta muito importante e poderosa em nossas mãos.

Temos o site e blog da AJI, é tudo que um jovem precisa para se expressar e mostrar ao mundo que existimos e estamos aqui na luta, Somos capazes e estamos fazendo acontecer de uma forma ou outra.

Somos uma imprensa formado por jovens, pensar que hoje temos capacidade de sentar, discutir, levantar uma pauta, produzir o roteiro de um vídeo, pegar os nosso materiais e sair em equipe para a produção de uma matéria jornalística.

Pensar que hoje durante as oficinas na aldeia, o aluno chega e te chama de professor(a).

É alegria enorme, saber que estamos fazendo acontecer.

Pensar que já sentamos, discutimos, a equipe entra em crise mas paramos para pensar, temos mais o que fazer do que brigar, e é aqui o nosso espaço, não queremos reproduzir a aldeia, pois ainda é uma dificuldade na aldeia todos se unirem por uma causa, tem mais chance de se dividir e acabar o que está se construindo, a AJI é um exemplo disso, quantas vezes tentaram acabar com a AJI, isso por que antes a AJI era barradas por algumas lideranças e comunidades nas reuniões, encontros

e outros, por outro lado, qual era a solução que poderiam apresentar aos jovens a não ser tirar o pouco que temos. A AJI tem tido muito resultados positivos, e tem vindo de dentro da aldeia. O que dava a entender é que não queriam que os jovens indígenas buscassem seus espaços e seus direitos, está certo que temos que respeitar pois são lideranças, mas, os jovens também existem e merecem ser respeitados. Havia um preconceito vindo de dentro da própria aldeia, mas somos fortes e vencemos mostrando a eles que podemos através do nosso trabalho, conquistamos o nosso espaço.

Acredito que os jovens da AJI serão uma nova geração dentro da aldeia, aquela geração que irá lutar e buscar, brigar em busca de seus direitos e necessidades, com respeito e dignidade.

Hoje, é uma honra quando sentamos em uma mesa de discussão em um festival nacional para debater os Vídeos da AJI, apresentar o nosso trabalho e falar da realidade dos jovens da Reserva indígena de Dourados.

Ou seja, estamos fazendo a diferença, e sendo positiva melhor ainda, dali algum frutos os jovens irão tirar.

Quero dizer hoje que sou uma menina feliz, pois tive essa oportunidade de aprender, lutar e fazer acontecer, com a ajuda claro de todos os meus colegas e de uma grande pessoa que me deu atenção especial, não só para mim mas para outros abriu o caminho essa pessoa, Maria de Lourdes Beldi de Alcântara.

Hoje a AJI tem um conhecimento, regional, estadual, nacional e internacional. Tendo um dos trabalhos dentre os finalistas em uma concorrência internacional.

Quero dedicar essa redação a todos os jovens indígenas em especial aos jovens da aldeia de Dourados.

Somos jovens, com muita trabalho pela frente, em busca de um futuro melhor, pelo direito de cada um, pelo respeito e reconhecimento.

Jaqueline Gonçalves
Integrante AJI


Colapso na Saúde Indígena

Paciente indígenas demonstram-se muito descontentes pela falta de agilidade no atendimento feito pela FUNASA (Fundação nacional da saúde) e SUS (Sistema único de saúde). Segundo um dos Usuário da saúde indígena de 46 anos da etnia Guarani Nhandeva/ Aruak Terena que não quis ser identificado temendo perseguições, relatou que foi encaminhado para ser atendido pelo SUS para fazer um exame urgente de endoscopia, o exame foi encaminhado, passando um ano e foi atendido

“se fosse para depender deste enxame já tinha morrido, mas graças a Deus estou vivo” relata.

Outro caso é de “Tomografia” que o usuário fez em Novembro de 2009 e até esta data nenhuma consulta foi marcada.

Segundo a mãe do adolescente de 18 anos que após ser agredido na cabeça e ter ficado inválido e necessita constantemente de medicamentos.

A FUNASA que é a responsável pelo agendamento, até esta data nada foi agendado

meu filho precisa desta consulta com o doutor , ele me pediu a tomografia e agora está feito e

a seis mês não consigo ser atendida” salienta esta mãe.

Por outro lado a grande responsável pela saúde indígena e que portanto deve levar a comunidade indígena atendimento de qualidade, tem falhado em cumprir o seu papel. Assim inúmeras pessoas encontram-se descontentes e com quadros de doença agravada pela inoperância e lentidão deste atendimento.


A FUNASA deveria ter um atuação integral aos povos indígenas , desde consulta até exames e não deixar os pacientes esperando anos, como vimos nos relatos acima. Isso sim seria o ideal e traria bem estar aos povos indígenas.


Nilcimar Morales
Integrante AJI

Meu amigo celular

Celular,

um meio de comunicação que muitos das pessoas tem nas aldeias Jaguapiru e Bororo, que tem sido muito útil, para passar recados, convidar o outro para jogar uma pelada (Futebol) ligar para almoçar na casa do parente, fazer denuncia, ligar para atendimento a Saúde, enviar mensagem, e outros recados.

Segundo um dos moradores da aldeia Jaguapiru argumentou que alguns estão muito folgado ele mora a dez metro da casa de seu parente e LIGA para ele ir em sua casa, coisa que e só dar um grito o outro já ouve.

Um dos problemas que se vê e que as pessoas trocam muito de celular assim mudam o chipe, passando a ser um numero diferente, cortando a linha de comunicação, alguns ficam até irritados quando o outro troca de celular, porque não consegue falar com o amigo, mas mesmo assim tem sido grande as pessoas que utilizam celular dentro das aldeias.

Por outro lado, muitos não conhece e nunca viu este aparelho, porque não tem condição

mínima de possuir um celular, que parasse ser comum ver na mãos de todas as pessoas no Brasil, mas infelizmente indígenas ainda não o possui pela falta de economia e oportunidade de emprego renda que supre as sua necessidades do dia a dia.


Nilcimar Morales
Colegiado AJI